O Sindicato dos Mecânicos de Joinville conquistou hoje uma vitória parcial que vai diminuir o sofrimento de milhares de trabalhadores da Busscar com a ação que entrou na Justiça do Trabalho: o pagamento de duas folhas de pagamento (abril e maio) e também do décimo-terceiro de 2009, alcançando assim também os trabalhadores que estavam na empresa e aderiram ao famigerado PDV em fevereiro deste ano.
A empresa ainda se comprometeu com a Justiça do Trabalho e Sindicato a disponibilizar um valor de créditos tributários que teria direito, mas que estava embargado – no valor de R$ 7.545.658,92 (sete milhões, quinhentos e quarenta e cinco mil, seiscentos e cinquenta e oito reais e noventa e dois centavos), e mais a liberação de um terreno que está bloqueado pela Justiça também por ação do Sindicato no valor estimado de R$ 11 milhões, para negociação com o banco BIC, utilizando cerca de R$ 5 milhões para pagar a dívida destas folhas com os trabalhadores, e o restante para finalizar cerca de 70 ônibus que estão parados no pátio à espera de matéria prima para serem entregues aos clientes da Busscar.

Essa nova situação que permitirá aos trabalhadores da empresa eu passam por sérias dificuldades financeiras, só foi possível porque o Sindicato pressionou com as duas ações – de pagamento dos atrasados e bloqueio dos bens – e ainda decidiu liberar o terreno que a empresa dará em garantia para o banco liberar cerca de R$ 14,5 milhões. Ou seja, de uma tacada só o Sindicato consegue o pagamento de três folhas atrasadas, e ainda permite que a empresa volte a funcionar mesmo que precariamente, possibilitando acenar ao mercado de que ela pode voltar a produzir, claro que com novos sócios e dinheiro novo.

Para o presidente João Bruggmann, a Busscar vai pagar o que deve de alguns atrasados, mas precisa ainda de uma solução definitiva e permanente que garanta a produção, empregos e salários. “A empresa ao pagar esses atrasados não está fazendo favor para ninguém. Ela está sim cumprindo o seu dever, e só o fez porque a Justiça assim determinou por conta de ação judicial do Sindicato. Esse dinheiro dá um alívio aos trabalhadores, que ainda terão de pagar juros e multas em todos as dívidas atrasadas, e mantém uma pequena chama da empresa acesa. Mas é preciso sim uma nova gestão, novos sócios e dinheiro novo para retomar a produção”, explica Bruggmann.

O Sindicato informa ainda que tentou a liberação dos trabalhadores para que seguissem suas vidas, mas a diretoria da Busscar foi irredutível e não aceitou liberar. Portanto as rescisões indiretas continuam sendo o caminho para quem quer se ver liberto dessa situação sem perder os seus direitos. A diretoria do Sindicato agradece a compreensão dos trabalhadores na luta que está sendo travada em favor dos seus direitos e empregos, e que vai continuar a brigar pela solução final da crise, bem como dos salários que ainda estão e estarão atrasados – junho e julho.

Fonte site: Sindicato dos Mecânicos

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salvadornetooficial@gmail.com

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, cofundador da Associação das Letras com sede no Brasil (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, assessoria de imprensa, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011), Gente Nossa (2014) e Tinha um AVC no Meio do Caminho (2024). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

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