• Lucas Pordeus León – Repórter da Agência Brasil
Venezuelan President Nicolas Maduro speaks during a march amid the disputed presidential election, in Caracas, Venezuela August 3, 2024. Reuters/Maxwell Briceno/Reprodução proibida
© Reuters/Maxwell Briceno/Reprodução proibida

O governo da Venezuela classificou a apreensão de petroleiro do país, por militares dos Estados Unidos (EUA), de “roubo descarado” e ato de pirataria. O navio com cerca de 1,1 milhão de barris de petróleo foi tomado pelos EUA, nessa quarta-feira, em águas internacionais. A ação fez os preços do produto disparar no mercado global

“A política de agressão contra nosso país responde a um plano deliberado de saque de nossas riquezas energéticas. Este novo ato criminal se soma ao roubo da Citgo, importante ativo do patrimônio estratégico de todos os venezuelanos”, afirmou nota do governo de Nicolas Maduro.

No início de dezembro, a Justiça dos EUA autorizou a venda da Citgo, uma filial da estatal petroleira venezuelana PDVSA, que foi tomada por Washington ainda em 2019, após o não reconhecimento da primeira reeleição de Maduro.

O governo de Caracas acrescentou que essas ações demonstram as verdadeiras razões da agressão prolongada contra a Venezuela.

“Não é a migração, não é o narcotráfico, não é a democracia, não são os direitos humanos. Sempre se tratou de nossas riquezas naturais, nosso petróleo, nossa energia, de os recursos que pertencem exclusivamente ao povo venezuelano”, completou a nota do Palácio de Miraflores.

Em uma rede social, a vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodriguez, afirmou que a apreensão do petroleiro é um ilícito internacional. “Venezuela recorrerá a todas as instâncias internacionais para denunciar esse roubo vulgar”, disse.

A tomada do petroleiro foi anunciado pelo próprio presidente dos EUA, Donald Trump, que afirmou que deve ficar com o navio.

“E outras coisas estão acontecendo”, disse Trump, que vem pressionando militarmente a Venezuela para provocar uma “troca de regime.”

Um vídeo de 45 segundos foi postado mostrando dois helicópteros se aproximando de uma embarcação com individuais armados e camuflados descendo da aeronave sobre o navio.

Bloqueio naval

O especialista em geopolítica Ronaldo Carmona, pesquisador do Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), avalia que a ação indica um possível bloqueio naval contra a Venezuela com objetivo de estrangular as receitas do país na tentativa de derrubar o governo Maduro.

“Após o estabelecimento de uma zona de exclusão aérea na semana anterior, essa ação contra o petroleiro indica um possível bloqueio naval visando a queda do governo de Caracas. É bastante grave para o Brasil que a ação americana militar esteja trazendo a guerra para uma região de paz como a América do Sul”, afirmou.

Cerco à Venezuela

A apreensão do petroleiro representa uma escalada do cerco militar dos EUA contra a Venezuela, que já conta com diversos ataques contra embarcações no Caribe sob a justificativa oficial de combate ao narcotráfico, isso apesar do país sul-americano não ser um dos produtores mundiais de cocaína e não abrigar os mais importantes cartéis de drogas

Durante a campanha eleitoral de 2023, Trump chegou a admitir que, durante o primeiro mandato dele, esteve próximo de “tomar” todo o petróleo da Venezuela, que é o país com as maiores reservas comprovadas de petróleo do planeta. Desde 2017, a Venezuela sofre com um embargo econômico imposto pelos EUA. 

No início deste mês, a Casa Branca publicou as diretrizes da nova política de segurança nacional reafirmando que os EUA esperam ter “proeminência” na América Latina. Especialistas tem alertado que as ações contra a Venezuela buscam a “troca de regime” em Caracas, que tem estreitas relações com China, Rússia e Irã, adversários de Washington no plano internacional.

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salvadornetooficial@gmail.com

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, cofundador da Associação das Letras com sede no Brasil (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, assessoria de imprensa, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011), Gente Nossa (2014) e Tinha um AVC no Meio do Caminho (2024). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

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