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Postei na sexta-feira, 23 de outubro, uma pequena crônica sobre uma personagem que nos brindou com sua companhia no almoço, a dona Pedra Maria Cordeiro, manézinha da Ilha. Escrevi muito rapidamente, e não consegui traduzir com a beleza devida a mensagem que aquele fato proporcionou. Mas quem tem um amigo como Moacir Montibeller nunca está perdido. Ele, com toda a leveza das palavras e gestos que lhe são peculiares, me sugeriu um novo final, belíssimo… Devo contar também que ele pediu a retirada dos nomes dele e do Célio Bizz. Como sempre, ele prefere não aparecer… Moacir, Moacir… comigo não é bem assim… até porque você é um grande incentivador dos meus escritos… abraço amigo velho…
Com vocês, o novo final da crônica já publicada neste espaço com as bençãos do galo cinza:
“… Mesmo assim fiquei pensando… não sei qual foi a fome maior que ela sentia. Fome de comida ou fome de dignidade e respeito. Sentou na cadeira de lado, como se ali não tivesse lugar para ela. Comia devagar, um pouco atrapalhada com o garfo e a faca, talvez estranhando sua rotina ao se alimentar. E, além de tudo, olhava de soslaio, desconfiada, com a impressão que estava ali atrapalhando alguém.
Estava ali o símbolo de tantas donas Pedras neste mundo, vivendo sem ninguém perceber, se achando um estorvo nesta terra, como se pedisse desculpas por estar vivendo entre nós. Esquecemos que cada um de nós, que acha que tudo tem neste mundo, poderia ser a dona Pedra. Viva e respeite extremamente aqueles mais fracos e os que menos ou nada tem, pois somente por acaso não somos a dona Pedra. Meus respeitos e consideração querida Pedra, nos destes uma grande lição.”
