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Da Redação/Nuno Alcoa
Na semana da Web Summit, Portugal apresentou sua Agenda Nacional de Inteligência Artificial, com promessas de inclusão digital e ética tecnológica. Mas por trás dos discursos, cresce uma disputa silenciosa entre países por modelos de linguagem soberanos, capazes de controlar narrativas, dados e decisões.
A União Europeia investirá €2,4 bilhões em modelos treinados exclusivamente com dados europeus, enquanto o Brasil lança o projeto “Aurora”, um sistema de IA treinado com literatura, jurisprudência e dialetos regionais. A China, por sua vez, já opera com modelos censurados e integrados ao sistema de crédito social, e os EUA aceleram a militarização da IA com contratos bilionários com a Palantir e a OpenAI.
Especialistas alertam para o risco de colonialismo algorítmico: países que não desenvolvem seus próprios modelos ficam dependentes de sistemas estrangeiros que não compreendem seus contextos, línguas ou valores. Em África, por exemplo, 92% das aplicações de IA são baseadas em inglês, ignorando línguas locais e realidades comunitárias.
O Palavra Livre defende uma IA que sirva à dignidade, e não ao controle. Que seja treinada com diversidade, transparência e compromisso social. Porque a inovação sem ética é apenas vigilância disfarçada de progresso.
