• Da Redação – Gustavo Nogueira

A Organização das Nações Unidas apresentou em Genebra e Nova Iorque o seu apelo humanitário para 2026, num tom de denúncia e urgência. O subsecretário-geral para Assuntos Humanitários, Tom Fletcher, afirmou que o mundo vive “um período de brutalidade, impunidade e indiferença”, em que milhões de pessoas são abandonadas à fome, à guerra e ao deslocamento forçado.

📉 O colapso do financiamento

Em 2025, a ONU solicitou US$ 45 bilhões para responder às crises globais, mas recebeu apenas US$ 12 bilhões — o menor valor em uma década. Isso permitiu atender 98 milhões de pessoas, 25 milhões a menos que no ano anterior.

Os Estados Unidos continuam sendo o maior doador, mas reduziram sua contribuição de US$ 11 bilhões em 2024 para apenas US$ 2,7 bilhões em 2025, após cortes promovidos pelo governo Trump. Outros países europeus também diminuíram suas transferências, alegando restrições orçamentárias internas.

Fletcher denunciou que a comunidade humanitária está “sobrecarregada, subfinanciada e sob ataque”. Ele destacou ainda o impacto da desinformação, que fragiliza a confiança pública na ONU e alimenta narrativas de inutilidade, corroendo a solidariedade internacional.

🎯 O plano para 2026

Para 2026, a ONU definiu um plano “hiperprioritizado”, pedindo US$ 23 bilhões para salvar 87 milhões de pessoas em maior risco. A meta ideal seria US$ 33 bilhões para atender 135 milhões, mas a organização reconhece que dificilmente alcançará esse valor.

As principais prioridades incluem:

  • Gaza e Cisjordânia: US$ 4,1 bilhões para apoiar 3 milhões de pessoas em meio ao conflito.
  • Sudão: US$ 2,9 bilhões para 20 milhões de deslocados pela guerra civil.
  • Haiti, Myanmar e Ucrânia: emergências críticas, com milhões de pessoas em risco de fome, violência e deslocamento.

No total, a ONU estima que 240 milhões de pessoas necessitam de ajuda urgente em zonas de conflito, epidemias e desastres climáticos.

⚠️ A denúncia da apatia global

Fletcher foi incisivo: “É um período em que as regras estão em retrocesso, em que a estrutura da coexistência está sob ataque constante, em que nossos instintos de sobrevivência foram entorpecidos pela distração e corroídos pela apatia”.

Ele lembrou que o pedido de US$ 23 bilhões é apenas uma fração do que o mundo gasta em armamento — US$ 2,73 trilhões em 2024. A comparação revela uma contradição brutal: enquanto trilhões são investidos em guerra, milhões de vidas são deixadas sem proteção.

📌 Crises prioritárias

  • Gaza: a ONU alerta para risco de fome generalizada e colapso dos serviços básicos.
  • Sudão: a guerra entre generais rivais já deslocou mais de 20 milhões de pessoas.
  • Haiti: violência das gangues e colapso institucional tornam a crise uma das mais graves do hemisfério ocidental.
  • Myanmar: repressão militar e conflitos internos continuam a gerar deslocamentos massivos.
  • Ucrânia: a guerra prolongada mantém milhões em situação de vulnerabilidade, com ataques constantes a infraestruturas civis.

📊 Dados comparativos

  • 2024: US$ 11 bilhões dos EUA, 123 milhões de pessoas atendidas.
  • 2025: US$ 2,7 bilhões dos EUA, 98 milhões atendidas.
  • 2026 (meta): US$ 23 bilhões para 87 milhões, com foco em crises críticas.

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Autor

salvadornetooficial@gmail.com

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, cofundador da Associação das Letras com sede no Brasil (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, assessoria de imprensa, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011), Gente Nossa (2014) e Tinha um AVC no Meio do Caminho (2024). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

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