A Lei Maria da Penha, que estabelece penas mais duras para os casos de agressão a mulheres, quebrou paradigmas e mudou o direito brasileiro, afirmou hoje (12) a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia, durante audiência pública no Senado para debater possíveis alterações nesta lei. Para a ministra, a legislação representa um avanço no que se refere aos direitos humanos, em especial, na proteção dos direitos das mulheres.

Cármen Lúcia disse que a lei mudou completamente a forma como o Estado brasileiro e a Justiça interpretam o espaço público e privado. Segundo a ministra, a partir da Lei Maria da Penha, o quarto de um casal, por exemplo, deixou de ser um espaço privado para se tornar público, quando houver violência contra a mulher.

“Havia um ditado que dizia que, em briga de marido e mulher, ninguém mete a colher, mas mete, sim, se a colher for pesada e violenta”, ressaltou o ministra. “Essa lei vai muito além e pôs outro paradigma que nem nós, juízes, fomos capazes de entender. O que era espaço privado não é mais como antigamente.” De acordo com Cármen Lúcia, a lei também transformou direitos declarados, como os direitos humanos. “A lei mudou muito mais do que o Congresso é capaz de supor. Ela mudou o direito brasileiro”, completou a ministra.

Para Cármen Lúcia, a lei está conseguindo derrubar questões, como o medo e a vergonha, que antes impediam que as mulheres vítimas de violência denunciassem seus agressores. “A lei nos deu mecanismos para lutar contra o medo e a vergonha. Há muito a ser feito. A meu ver, a Lei Maria da Penha multiplica a esperança de um mundo melhor”, afirmou.

Da Ag. Brasil

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.

Autor

salvadornetooficial@gmail.com

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, cofundador da Associação das Letras com sede no Brasil (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, assessoria de imprensa, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011), Gente Nossa (2014) e Tinha um AVC no Meio do Caminho (2024). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

Posts relacionados

Editorial – O Brasil diante do espelho: a jornada 6×1 e o preconceito de classe que insiste em sobreviver

A discussão sobre a jornada 6×1, reacendida após o governo federal anunciar que pretende rever esse modelo, expôs algo que o Brasil...

Leia tudo

Dia Internacional da Imprensa: a força histórica, as lutas e o papel vital da imprensa independente no mundo

Da prensa de Gutenberg às redações digitais sob ataque, a imprensa continua a ser o pilar que sustenta a liberdade, a democracia...

Leia tudo

Fusão Paramount–Warner: o terremoto que ameaça reescrever Hollywood

A união de dois gigantes promete remodelar a indústria cinematográfica — mas artistas, sindicatos e cinéfilos alertam para um futuro mais pobre,...

Leia tudo

1º de Maio: tecnologia, desigualdade e a urgência de reconstruir a força coletiva

Num tempo em que a automação elimina postos de trabalho e concentra poder económico, o 1º de Maio de 2026 expõe uma...

Leia tudo

Saída dos Emirados da OPEP: o abalo que redefine o poder energético mundial

A decisão dos Emirados Árabes Unidos de abandonar a OPEP em plena guerra EUA–Israel contra o Irã expõe fissuras profundas na geopolítica...

Leia tudo

Entrelaçamentos: quando a vida insiste em unir histórias

Há amizades que nascem de encontros. E há amizades que nascem de destinos — desses que vão alinhando vidas muito antes de...

Leia tudo