Como eu previa, sabia que alguns petistas iriam me crucificar diante do post “Casa arrumada”. Emissários escreveram no Face que eu isso, aquilo, não tenho conhecimento técnico, só falo do PT, etc. Já era esperado. Eles não leem aquilo que os afeta, aflige, ou que mostra contradições. Mas isso acontece também com outros partidos, outros personagens, enfim, é da natureza humana, das entidades, uma espécie de defesa. Normal. Mas, se eles lessem também, com igual interesse, as postagens que falam dos acertos, quem sabe não escreveriam algumas barbaridades.
Antes que digam, “ah, agora ele escreve do Udo, do PMDB”, já aviso também! Esse texto já estava previsto no retorno do Blog à ativa em 2013. Sim, porque aqui busca-se ao máximo a igualdade de opiniões, deixando o leitor com as suas opções. Dias atrás postei, também no Face, sobre a vinda da BMW, se ainda estava de pé, se alguém sabia de algo. Pois não é que veio o presidente do PMDB já me acusando de ser mais afável ao PT, planalto, etc? É amigos, assim é a vida quando se é jornalista e emite opiniões, ou como neste caso, apenas pergunta para que saibamos de algo. Que fazer, perguntar é o nosso ofício!
Mas vamos aos novos inquilinos da “casa arrumada”. Em que pese a herança ser nada boa, o prefeito Udo Döhler deve ter constatado algo sério diante da sua experiência empresarial: a falha de análise dos dados da equipe de transição que o deixou de calças curtas, tendo de reconhecer ter sido surpreendido pela falta de recursos para pagamento dos salários de dezembro. Com dois meses para analisar dados, fazer cálculos – técnicos que entendem do assunto constatariam isso – esse quadro não poderia ter ocorrido.
Ou será que houve acordo para não divulgação? Ou a administração Carlito sonegou dados fundamentais? Mas se sonegou as informações, porque a equipe de transição não denunciou, cobrou? Mais que isso são os boatos que surgem de que a dívida seria superior a R$ 200 milhões, talvez mais. Isso não foi constatado nos calhamaços de relatórios? Ou os relatórios ainda são furados, feitos em excel, sem sistema confiável e moderno, como o governo Carlito afirma que pegou de Tebaldi, e garante que tinha modificado esse quadro?
Diferente de Carlito Merss, Udo está muito bem na comunicação até aqui. Foi transparente, age com rapidez na oferta de informações aos jornalistas, e uma estratégica de mostrar que o novo governo está acelerando e trabalhando das seis às 24 horas sem almoço – cultura empresarial? – está funcionando. Mas é fato que a lua de mel pode acabar ali na frente. As ruas estão tomadas por buracos. O mato invade as ruas e praças, o Parque da Cidade está abandonado aos vândalos, obras fundamentais estão paralisadas e sem que as pessoas saibam o que será feito. As obras dos novos parques, saneamento, programa habitacional que deve continuar, e mais as prometidas, tem de andar. Governar é dureza… talvez se descubra que é tão ou mais difícil que gerir uma empresa.
Quanto à equipe, parece ser boa, com nomes já conhecidos e experientes, e alguns desconhecidos mas certamente com indicações de peso, talvez de empresários, de senadores… Mas será que não temos na maior cidade catarinense profissionais ou técnicos preparados para assumir funções como na Fundema, Administração. A Educação continuará nas mãos da Sociesc, digo, Roque Mattei que é oriundo da entidade educacional, assim como já foi por muitos anos com Sylvio Sniecikovski. Penso que temos sim gente experiente o suficiente, tanto que a maioria do secretariado é da gema, ou vive e atua há anos na cidade, e portanto, a conhece muito bem.
Para sorte do governo Udo, vem aí o Carnaval para dar um breque nas pressões e cobranças da população, e também da base aliada. Sim, a base aliada chegou à totalidade da Câmara de Vereadores de Joinville, o que convenhamos, não é bom para a democracia, a transparência, a lisura dos atos. A base aliada quer por que quer cargos no Executivo, além dos que tem no Legislativo. Segundo eles, para dar “sustentação” ao governo, é preciso participar. Os vereadores, eleitos pelo voto popular, portanto com mandato conferido pelos cidadãos, vão se dobrar à força da imagem de Udo empresário, ao poder econômico de onde o Prefeito é oriundo? Terão medo de denunciar, cobrar, fiscalizar?
De parte do Blog Palavra Livre, o acompanhamento será uma constante. Há promessas de grande porte que serão cobradas, porque a cidade realmente precisa ser arrumada em todos os seus setores. Mas há uma dúvida que ficou com essa falta de pagamento em dia dos servidores municipais, e das contas que surgem a cada dia: será que a equipe que não viu o furo, vai dar conta do recado? Tomara que sim, pelo bem da cidade. Porque à primeira vista Udo tem longos quatro anos para arrumar tudo e deixar um brinco, mas quatro anos passam tão rápido, tão rápido… que o diga Carlito Merss.





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