- Por Clara Mendes — Repórter Especial do Palavra Livre
Lídia Jorge recebe Prémio Pessoa 2025: literatura, cidadania e memória portuguesa
A entrega do Prémio Pessoa 2025 a Lídia Jorge, realizada em fevereiro de 2026 no átrio central da Caixa Geral de Depósitos, em Lisboa, reafirma a centralidade da autora na cultura portuguesa. O prémio, no valor de 70 mil euros, destacou a “escrita criativa e diversificada” e a “intervenção cívica corajosa” da autora, segundo o júri.
A distinção soma-se à Grã-Cruz da Ordem de Santiago da Espada e ao título de doutora honoris causa pela Universidade dos Açores, recebidos no mesmo ciclo. Aos 79 anos, Lídia Jorge continua a escrever com a mesma urgência ética que marcou O Dia dos Prodígios (1980), obra inaugural que abriu caminho para uma literatura capaz de revisitar a Guerra Colonial, a transição democrática e as fraturas sociais que persistem.
Num tempo em que a esfera pública se fragmenta, a autora reafirma que a literatura permanece um dos últimos espaços onde a verdade pode respirar sem pedir licença.
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Andy Warhol na Gare do Oriente: Marilyn transforma estação em museu aberto
A instalação temporária de “Marilyn”, de Andy Warhol, na Gare do Oriente — numa iniciativa do Museu Helga de Alvear — inscreve-se numa tendência internacional de descentralização da arte. A obra abandona o ambiente controlado do museu e instala-se num dos maiores centros de mobilidade do país.
A Gare do Oriente recebe diariamente centenas de milhares de pessoas. Nesse fluxo, a imagem repetida de Marilyn Monroe — símbolo da cultura de massas — reencontra o seu público natural: o cidadão comum, o trabalhador que corre para o comboio, o turista que atravessa a estação.
A estação transforma-se, por instantes, num museu aberto. E a obra, deslocada do pedestal, recupera o seu poder de interpelar o quotidiano.
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Repatriação de artefactos egípcios: justiça histórica e ética dos museus
Novas investigações internacionais confirmaram a origem milenar de artefactos egípcios que estavam em coleções estrangeiras, abrindo caminho para o seu regresso ao Egito. O caso reacende debates sobre ética museológica, colonialismo e responsabilidade histórica.
Durante séculos, objetos funerários, religiosos e arqueológicos foram retirados do Egito através de escavações coloniais, tráfico ilícito ou compras realizadas em contextos de desigualdade política. A repatriação não é apenas um gesto diplomático: é um processo de restituição de memória.
Cada peça que regressa permite reconstruir narrativas históricas fragmentadas e devolve ao país a possibilidade de contar a sua própria história com os seus próprios vestígios.
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