“Do pai que aprendeu a esperar o tempo”
Há vínculos que não se rompem — apenas se recolhem. Ficam ali, como raízes profundas que o inverno não alcança, esperando a estação certa para voltar a crescer.
Um homem sonhou um pequeno astro antes de ele existir. Sonhou-o como quem sonha um farol: luz que guia, luz que espanta o medo, luz que inaugura um mundo. E por um tempo, caminhou ao lado dessa estrela nascente, aprendendo a ser pai como quem aprende um idioma novo — tropeçando, sorrindo, descobrindo.
Depois, a vida soprou ventos contrários. E o vento, às vezes, é forte demais. Leva para longe o que não queríamos perder. Deixa no ar um silêncio que dura anos, como se o tempo tivesse esquecido de passar por ali.
Mas o tempo não esquece. Ele apenas trabalha em silêncio.
Um dia, sem aviso, uma brisa leve atravessou a porta fechada. Não era tempestade, nem urgência — era apenas um sussurro: “Ele quer falar.”
E assim, o que estava adormecido despertou. Não com pressa, não com barulho — mas com verdade. Uma ponte se ergueu, construída por mãos que enxergam longe, mãos que sabem que certos reencontros só acontecem quando o coração amadurece.
E então, no horizonte, surgiu uma nova estrela. Pequena, luminosa, recém-chegada ao mundo. Primeira de uma nova geração. Primeira neta. Primeiro sinal de que a vida continua mesmo quando a gente se afasta dela.
Hoje, celebra-se um aniversário. Não apenas de quem nasceu, mas de quem renasce. Um ciclo que se abre como flor depois de longa estiagem. Um parabéns que não pesa — apenas toca. Um gesto que não exige — apenas oferece. Um caminho que não volta ao passado — apenas segue adiante.
Porque há amores que não precisam de explicação. Precisam apenas de tempo. E de um vento favorável que, um dia, decide voltar.







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