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A UNESCO anunciou que Medellín, na Colômbia, será a Capital Mundial do Livro em 2027, um reconhecimento que coroa mais de duas décadas de políticas públicas inovadoras voltadas para a leitura, a cultura e a inclusão social. A escolha foi celebrada pela IFLA (Federação Internacional de Associações e Instituições Bibliotecárias), que destacou o caráter transformador das bibliotecas na cidade andina.
A partir de 23 de abril de 2027, Medellín se tornará a quinta cidade da América Latina e Caribe a receber o título — e a segunda da Colômbia, exatamente 20 anos após Bogotá, escolhida em 2007. O anúncio foi feito na Biblioteca Pública Piloto, um dos símbolos da virada cultural da cidade.
O que é a Capital Mundial do Livro?
Criado em 2001, o título de Capital Mundial do Livro é concedido anualmente pela UNESCO a cidades que desenvolvem políticas exemplares de promoção da leitura, do livro e da cultura escrita. A decisão é tomada por um comitê consultivo composto pela UNESCO, IFLA, Associação Internacional de Editores, Fórum Internacional de Autores e Federação Europeia e Internacional de Livreiros.
O objetivo é duplo:
– Reconhecer cidades que fazem do livro um motor de desenvolvimento social e cultural
– Estimular novos investimentos e mobilização comunitária em torno da leitura
Desde sua criação, o título já passou por cidades como Madrid, Alexandria, Buenos Aires, Guadalajara, Incheon, Atenas e Guadalajara.
Medellín: de cidade marcada pela violência a laboratório de inovação social
A escolha de Medellín não é casual. Nas últimas décadas, a cidade se tornou um caso de estudo internacional por sua capacidade de transformar territórios vulneráveis por meio da cultura, da educação e do urbanismo social. Entre os marcos dessa transformação estão:
1. A Biblioteca Pública Piloto (1952)
Criada a partir de um acordo entre a UNESCO e o governo colombiano, tornou-se um centro de documentação, memória e formação cultural. Hoje é um dos principais polos de leitura da cidade.
2. Os Parques Biblioteca
Construídos em áreas periféricas e historicamente afetadas pelo narcotráfico, esses complexos culturais combinam:
– bibliotecas modernas
– espaços de convivência
– auditórios
– áreas verdes
– programas de inclusão digital
Eles se tornaram símbolos de coesão social, ajudando a reparar danos causados por décadas de violência.
3. A leitura como política pública estruturante
Medellín investiu em:
– programas de mediação de leitura
– formação de bibliotecários
– editoras independentes
– festivais literários
– redes comunitárias de leitura
A cidade passou a ser reconhecida como um ecossistema cultural vibrante.
O que esperar do ano de 2027
Segundo a IFLA, o título abrirá espaço para:
– novos investimentos em bibliotecas e infraestrutura cultural
– programas de leitura voltados para jovens e populações vulneráveis
– ações de valorização dos profissionais do livro
– parcerias internacionais
O ano também coincidirá com o centenário da IFLA, o que deve ampliar a visibilidade global das iniciativas realizadas na cidade.
América Latina no mapa da leitura
Com Medellín, a região volta a ocupar um lugar de destaque na agenda internacional do livro. Antes dela, foram Capitais Mundiais do Livro:
| Ano | Cidade | País |
|---|---|---|
| 2001 | Madrid | Espanha |
| 2005 | Montreal | Canadá |
| 2011 | Buenos Aires | Argentina |
| 2017 | Conacri | Guiné |
| 2023 | Guadalajara | México |
A presença latino-americana, embora ainda limitada, tem sido marcada por projetos de forte impacto social — e Medellín se insere exatamente nessa tradição.
Um modelo para o mundo
A nomeação de Medellín reafirma uma tendência global: bibliotecas não são apenas depósitos de livros, mas motores de transformação urbana, inclusão e cidadania.
A cidade colombiana, que já foi sinônimo de violência, hoje inspira o mundo com políticas que colocam a cultura no centro da vida pública.
Para a UNESCO, Medellín demonstra que a leitura pode ser uma ferramenta de reconstrução social, capaz de abrir caminhos onde antes havia apenas medo e silêncio.






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