Da Redação Palavra Livre – Rodrigo Díaz
O presidente Donald Trump intensificou a política de pressão máxima contra Cuba, classificando a ilha como uma “ameaça extraordinária à segurança nacional dos Estados Unidos”. Washington não apenas bloqueou o petróleo venezuelano, como também passou a ameaçar países que tentassem suprir a demanda cubana.
A estratégia americana tem efeitos diretos:
- nenhum petroleiro chega a Cuba desde 9 de janeiro de 2026;
- o governo cubano suspendeu a venda de diesel e racionou gasolina;
- serviços hospitalares e transporte público foram reduzidos;
- o turismo — já fragilizado — enfrenta cancelamentos em massa.
Apagões constantes e vida cotidiana em colapso
Desde o fim de 2024, Cuba já enfrentou cinco apagões generalizados, mas o de março de 2026 foi o mais extenso e profundo. A capital registra cortes diários de mais de 10 horas, enquanto províncias do interior chegam a ficar mais de um dia inteiro sem energia. A falta de combustível também compromete:
- abastecimento de água;
- refrigeração de alimentos;
- funcionamento de escolas;
- operações aeroportuárias;
- serviços de emergência.
A UNE afirma que trabalha para restabelecer o sistema, mas admite que a infraestrutura está “no limite”.
Reação internacional: alerta da ONU e risco de colapso humanitário
A ONU alertou que a situação pode evoluir para um colapso humanitário, caso Cuba não consiga restabelecer o fornecimento de energia e garantir combustível para serviços essenciais. Hospitais já relatam dificuldades para manter equipamentos funcionando, e a distribuição de alimentos enfrenta atrasos críticos.
Comparação regional: Cuba em situação inédita
Embora apagões sejam comuns em países com infraestrutura fragilizada, a combinação de bloqueio energético, crise econômica e isolamento diplomático coloca Cuba em uma posição singular na América Latina.
| País (2025–2026) | Causa principal | Impacto | Situação atual |
|---|---|---|---|
| Cuba | Bloqueio energético + falha estrutural | 10 de 15 províncias sem energia | Risco de colapso humanitário |
| Venezuela | Crise política + queda de produção | Racionamento severo | Exportações bloqueadas pelos EUA |
| Haiti | Instabilidade + falta de infraestrutura | Apagões frequentes | Ajuda internacional limitada |
| México | Pressão externa | Suspensão de petróleo a Cuba | Ajuda humanitária sem combustível |
O que esperar agora
Especialistas afirmam que a crise deve continuar ao longo de março e abril, com três possíveis cenários:
- Acordo emergencial com países aliados, como Argélia ou Rússia — improvável no curto prazo.
- Negociação diplomática entre México e EUA, permitindo retomada parcial do fornecimento.
- Aprofundamento da crise, com novos apagões e impacto crescente no turismo e na saúde pública.
O governo cubano afirma que “todos os protocolos de recuperação estão ativados”, mas reconhece que o sistema elétrico opera com menos de um terço da capacidade necessária.






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