de Salvador Neto
Alegria é pão quente dividido na mesa,
O riso que explode quando ninguém espera.
É o abraço que diz “eu te entendo” sem palavras,
E o tropeço que vira dança porque o orgulho também ri.
É o cheiro de café embalando a manhã,
E o sol espiando preguiçoso pela janela.
É um bebê que descobre os próprios pés,
Ou um idoso contando a mesma piada pela décima vez.
Alegria tem o toque das mãos que cozinham,
Das mãos que criam, das que curam, das que apertam.
Tem o sabor agridoce do choro que vira gargalhada,
E a textura bagunçada de lençóis num dia preguiçoso.
Alegria é a coragem de cantar no chuveiro,
Mesmo quando a voz não alcança a nota certa.
É o primeiro gole de vinho, a última fatia de bolo,
E aquele amigo que sabe exatamente quando aparecer.
Ela mora nas pequenas coisas —
Na imperfeição que faz do humano algo divino.
Porque alegria, veja bem, é o que sobra,
Quando a vida para de levar-se tão a sério.






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