Bad Bunny faz história no Grammy e transforma cerimônia em palco de defesa dos imigrantes

Bad Bunny faz história no Grammy e transforma cerimônia em palco de defesa dos imigrantes

Por Marina Duarte, especial para o Palavra Livre

A noite do Grammy 2026 ficará marcada não apenas pela música, mas pela força política que tomou conta do palco. Bad Bunny, um dos artistas mais influentes da atualidade, tornou-se o primeiro latino a vencer o prêmio de Álbum do Ano em 68 edições da premiação — um marco histórico para a música em espanhol e para a representatividade latina na indústria global.

O porto-riquenho, que subirá ao palco do Super Bowl na próxima semana, dedicou o prêmio aos imigrantes que “deixam sua casa, sua terra, seu país, para seguir seus sonhos”. O discurso emocionado ecoou pela Crypto.com Arena, em Los Angeles, e encontrou ressonância em dezenas de artistas que usaram a cerimônia para protestar contra a repressão à imigração promovida pelo governo Trump.

Uma noite de protestos e afirmação

A britânica Olivia Dean, vencedora de Artista Revelação, reforçou a defesa dos imigrantes ao lembrar a trajetória da avó, parte da geração Windrush. Outras estrelas — como Kehlani, Gloria Estefan e Billie Eilish — também se posicionaram, muitas delas usando crachás com a inscrição “ICE out” no tapete vermelho.

Bad Bunny, que já havia vencido o prêmio de Melhor Álbum de Música Urbana, foi direto ao ponto:

“Antes de agradecer a Deus, vou dizer que o ICE sai. Não somos selvagens, não somos animais, não somos alienígenas. Somos humanos e somos americanos.”

A fala veio após semanas de tensão em Minneapolis, marcadas pela morte de dois civis em ações de fiscalização migratória.

Billie Eilish e Kendrick Lamar também brilham

Billie Eilish conquistou seu terceiro prêmio de Canção do Ano com Wildflower, reforçando a necessidade de resistência em tempos turbulentos. Kendrick Lamar, por sua vez, ultrapassou Jay‑Z e se tornou o rapper mais premiado da história do Grammy, chegando a 27 estatuetas após vencer Álbum de Rap e Disco do Ano.

A cerimônia também teve momentos inusitados, como a confusão de Cher, que precisou retornar ao palco após anunciar equivocadamente o vencedor de uma categoria.

Música latina e K‑Pop quebram barreiras

Além da vitória histórica de Bad Bunny, a música latina celebrou outro feito: seu álbum Debí Tirar Más Fotos é o primeiro disco em espanhol a conquistar o prêmio máximo da noite.

O K‑Pop também fez história com Golden, do filme KPop Demon Hunters, tornando-se a primeira música do gênero a vencer um Grammy.

Performances marcantes e homenagens

A noite reuniu apresentações contrastantes — de Justin Bieber cantando apenas de boxer a Bruno Mars em terno vermelho impecável. Lady Gaga, que venceu Melhor Álbum Pop, incentivou mulheres a defenderem sua visão criativa dentro da indústria.

Homenagens emocionantes marcaram a cerimônia: Reba McEntire, Bruce Springsteen e Chaka Khan celebraram lendas como Brian Wilson, Sly Stone e Ozzy Osbourne. Lauryn Hill encerrou a noite com um tributo poderoso a Roberta Flack e D’Angelo.

Um Grammy que reflete o mundo

A edição de 2026 mostrou que a música continua sendo um espaço de disputa simbólica e política. Entre discursos inflamados, homenagens e recordes, o Grammy deste ano reafirmou que artistas — especialmente os historicamente marginalizados — seguem usando sua visibilidade para questionar estruturas de poder e reivindicar dignidade.

Bad Bunny sintetizou esse espírito ao dedicar seu prêmio às pessoas que enfrentam luto, deslocamento e resistência diária:

“Para todas as pessoas que perderam alguém próximo e tiveram que seguir em frente com muita força, este prêmio é para vocês.”

Uma noite histórica, que ultrapassou o entretenimento e se tornou um manifesto.

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