Com guerra, incertezas diplomáticas, ingressos inacessíveis e falhas de segurança nos países-sede, o Mundial de 2026 enfrenta seu momento mais crítico antes da bola rolar.
Copa do Mundo 2026 sob pressão: cinco crises que desafiam o maior evento do futebol mundial
Com apenas 50 dias para o início da Copa do Mundo de 2026, a FIFA e os países-sede — Estados Unidos, Canadá e México — enfrentam um cenário de turbulência raro na história recente do torneio. A reportagem da Al Jazeera revela um conjunto de problemas que vão muito além do campo: guerra, preços abusivos, tensões migratórias, insegurança pública e queda no interesse do público.
A abertura está marcada para 11 de junho, com México x África do Sul. Mas, até lá, o Mundial terá de superar obstáculos que colocam em xeque sua imagem e sua capacidade de mobilizar torcedores.
Participação do Irã segue incerta em meio à guerra e ameaças de segurança
O maior ponto de tensão envolve a presença do Irã. O país, que integra o torneio, vive um frágil cessar-fogo após o início da guerra envolvendo EUA e Israel. A decisão final sobre viajar ou não será tomada pelo governo iraniano e pelo Conselho de Segurança Nacional.
O impasse cresceu após declarações públicas do presidente Donald Trump, sugerindo que a segurança da delegação iraniana não poderia ser garantida em solo norte-americano. O Irã pediu à FIFA que seus jogos fossem transferidos para o México — pedido negado. A FIFA insiste: o Irã “tem que vir”.
Tarifas de transporte nos EUA geram revolta e afastam torcedores
Outro foco de indignação são os preços de transporte nas cidades-sede norte-americanas. O caso mais emblemático é o trajeto entre Manhattan e o MetLife Stadium, em Nova Jersey — palco da final. O bilhete, que normalmente custa US$ 12,90, saltou para US$ 150 durante o Mundial.
Governos locais e FIFA trocam acusações sobre quem deve arcar com os custos extras. Em Boston, o aumento chega a quatro vezes o valor normal. Já Los Angeles, Filadélfia e Kansas City prometem manter tarifas estáveis.
Ingressos caríssimos derrubam vendas e afastam o público
A promessa inicial da candidatura norte-americana era de ingressos acessíveis, a partir de US$ 21. A realidade é outra:
- Categoria 3 na fase de grupos: US$ 140
- Final: até US$ 10.990
O resultado é queda na procura, inclusive para jogos de grande apelo, como EUA x Paraguai. A FIFA abriu uma nova rodada de vendas para tentar reverter o cenário.
Temor de operações migratórias durante jogos nos EUA
A política migratória do governo Trump adiciona mais tensão. Organizações e torcedores temem que agentes do ICE e da CBP realizem operações durante partidas, intimidando estrangeiros.
A FIFA foi pressionada a intervir e pedir uma moratória temporária. Segundo reportagem citada pela Al Jazeera, dirigentes enxergam até um possível “ganho de imagem” para o governo caso suspenda as ações durante o torneio.
Violência no México reacende debate sobre segurança
No México, um ataque a tiros no sítio arqueológico de Teotihuacan — que deixou um turista canadense morto e 13 feridos — expôs fragilidades na segurança de áreas turísticas. A presidente Claudia Sheinbaum prometeu reforçar a proteção em locais estratégicos antes da Copa.
Um Mundial que começa antes do apito inicial
A Copa do Mundo de 2026 já é, antes de tudo, um retrato das tensões políticas, sociais e econômicas do momento. Entre guerra, preços proibitivos e desafios de segurança, o torneio enfrenta uma disputa paralela: reconquistar a confiança do público e garantir que o futebol volte a ser o centro da narrativa.






Deixe um comentário