Poesia de Sábado – “Rastro”

Poesia de Sábado – “Rastro”

Os momentos deixam rastros…

Rastro

“Ela tinha mãos inescapáveis, como se o tempo nelas se curvasse.
Do suor dos seus poros, perfumes imensos subiam como preces de um corpo que não sabia rezar.

Minha boca, seca de virtudes, bebia o erro como quem descobre o sabor da verdade.

Desperto, e não sei se foi sonho, desejo ou amor. Talvez tenha sido só o instante em que o mundo se esqueceu de girar para ouvir o rumor da pele.

O lençol guarda o mapa do que fomos, um território de sombras e sal. E eu, exilado de mim, procuro nas dobras da manhã o vestígio do que não se apaga.”

  • Por Salvador Neto, Portugal, 9 de junho de 2026

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