O Retorno Forçado: Como 15 milhões de refugiados voltaram para casa em 2025 segundo a ONU

O Retorno Forçado: Como 15 milhões de refugiados voltaram para casa em 2025 segundo a ONU

Mesmo com conflitos ativos, pobreza extrema e infraestrutura destruída, o mundo assistiu ao maior movimento de retorno de deslocados em uma década — um fenômeno que revela tanto esperança quanto desespero.

O MAIOR RETORNO DE REFUGIADOS EM 10 ANOS

O ano de 2025 marcou um ponto de inflexão histórico: segundo o ACNUR, quase 15 milhões de pessoas deslocadas regressaram aos seus locais de origem — o maior número registado em uma década. Esse movimento, porém, não representa estabilidade global. Pelo contrário: expõe a precariedade, o medo e a falta de alternativas enfrentadas por milhões.

A ONU estima que 117,8 milhões de pessoas permanecem deslocadas à força no mundo — 1 em cada 70 seres humanos. É uma população equivalente à do Egito ou das Filipinas. Desse total:

  • 68,6 milhões são deslocados internos
  • 28,5 milhões são refugiados sob mandato do ACNUR
  • 9 milhões são requerentes de asilo
  • 7,2 milhões necessitam de proteção internacional
  • 6 milhões são refugiados palestinos sob a UNRWA

Apesar da dimensão da crise, apenas 12% dos deslocados conseguiram regressar em 2025.

AFEGANISTÃO: O RETORNO MAIS MASSIVO E MAIS FORÇADO

O Afeganistão viveu um dos maiores movimentos populacionais abruptos da história recente:

  • 1,95 milhão de refugiados regressaram em 2025
  • 2,9 milhões retornaram no total entre 2024 e 2025
  • 80% das famílias entrevistadas pelo ACNUR relatam pular refeições diariamente
  • Mais de um terço não consegue acesso a cuidados médicos

Grande parte desses retornos não foi voluntária. Políticas restritivas no Irão e no Paquistão empurraram milhões de afegãos de volta a um país devastado, com pobreza sistémica e cortes severos na ajuda internacional. Maryam, viúva de 30 anos, resume o drama:

“Agora não tenho nada — nem casa, nem trabalho, nem ninguém a quem recorrer.”

SÍRIA: O FIM DE UMA DINASTIA E O INÍCIO DE UM RETORNO ARRISCADO

A queda do regime al-Assad em dezembro de 2024 desencadeou um movimento de retorno sem precedentes:

  • 1,34 milhão de refugiados regressaram em 2025
  • 2 milhões de deslocados internos voltaram às suas cidades
  • A população refugiada síria caiu de 6 milhões para 4,9 milhões
  • 556 mil retornaram da Turquia
  • 465 mil do Líbano
  • 256 mil da Jordânia

Mais de 70% dos retornados relatam melhoria na segurança, mas o país permanece destruído. Hiam, que voltou após 12 anos, descreve:

“Syria agora é completamente diferente. No início, não havia casas, não havia nada. Mas eu me tornei mais forte.”

SUDÃO: RETORNAR ENTRE RUÍNAS E EXPLOSIVOS

O Sudão vive uma das crises mais negligenciadas do planeta. Em 2025:

  • 651 mil refugiados regressaram
  • 2,9 milhões de deslocados internos voltaram
  • A maioria regressou a regiões com serviços básicos colapsados
  • Muitas áreas estão contaminadas por engenhos explosivos não detonados

Ansam Rustom, que voltou após três anos, resume o trauma:

“Saboreámos os horrores da guerra. Mas a vida forçou-nos a regressar.”

UCRÂNIA: RETORNOS LENTOS NUMA GUERRA QUE NÃO ACABOU

No final de 2025, a Ucrânia ainda tinha:

  • 3,7 milhões de deslocados internos
  • 668 mil novos deslocamentos no ano
  • 579 mil retornos a cidades destruídas e perigosas

O país vive um ciclo contínuo de fuga e retorno, ditado pela oscilação das frentes de combate.

POR QUE O RETORNO AUMENTOU?

Segundo a ONU, três fatores explicam o fenómeno:

  1. Pressão crescente em países anfitriões
    • Custos de vida insustentáveis
    • Políticas migratórias mais rígidas
    • Redução de programas de acolhimento
  2. Mudanças políticas nos países de origem
    • Queda de regimes
    • Acordos de cessar-fogo
    • Reconfiguração territorial
  3. Desespero Muitos retornos são “voluntários” apenas no papel. A ONU alerta que milhões voltam para violência, pobreza extrema e instabilidade.

O QUE ESTES NÚMEROS REVELAM SOBRE O MUNDO DE HOJE

O retorno massivo de 2025 não significa paz. Significa falta de alternativas.

  • A maioria regressa para países ainda em guerra.
  • Muitos voltam para ruínas, campos minados e fome.
  • O sistema internacional de proteção está sobrecarregado e subfinanciado.

A ONU alerta: sem investimento em reconstrução, educação, saúde e segurança, estes retornos podem gerar novas ondas de deslocamento nos próximos anos.

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