Cientista portuguesa alcança avanço decisivo na identificação de células cancerígenas

Cientista portuguesa alcança avanço decisivo na identificação de células cancerígenas

Após mais de uma década de investigação, a equipa liderada por Paula Videira desenvolveu um anticorpo capaz de distinguir com precisão células tumorais de tecido saudável — um passo raro e promissor na luta contra o cancro, agora reconhecido pelo Prémio Europeu do Inventor.

Reportagem

A investigação que Paula Videira conduz há mais de dez anos acaba de atingir um marco que pode transformar a forma como a medicina identifica e combate o cancro. A cientista portuguesa, professora na Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, lidera a equipa que desenvolveu um anticorpo inovador capaz de diferenciar, com elevada precisão, células cancerígenas de células saudáveis — um dos maiores desafios da oncologia moderna.

A tecnologia, nascida no laboratório e sustentada por anos de estudo em glicobiologia, área que analisa os glicanos (açúcares presentes na superfície das células), abre caminho para diagnósticos mais seguros e tratamentos mais direcionados. Ao reconhecer padrões específicos de glicanos associados ao tumor, o anticorpo permite identificar células malignas sem comprometer tecido saudável, reduzindo riscos e aumentando a eficácia de futuras terapias.

Este avanço científico valeu a Paula Videira um lugar entre os 13 finalistas do Prémio Europeu do Inventor 2026, atribuído pelo Instituto Europeu de Patentes. A distinção reconhece projetos que se destacam pela inovação e impacto potencial na sociedade, colocando a investigação portuguesa no centro das atenções internacionais.

Embora ainda em fase de desenvolvimento e validação, a descoberta representa um passo significativo para a comunidade científica. A capacidade de distinguir células tumorais com precisão é um objetivo perseguido há décadas, e a tecnologia criada pela equipa portuguesa pode vir a ser determinante para novas abordagens terapêuticas.

O reconhecimento europeu reforça a importância da investigação nacional e sublinha o contributo de Paula Videira para uma área onde cada avanço pode significar vidas salvas. Para a investigadora, o prémio é mais do que uma distinção: é a confirmação de que o caminho da ciência, feito de persistência e detalhe, continua a abrir portas para um futuro mais seguro no diagnóstico e tratamento do cancro.

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