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Eclipse total do Sol de 12 de agosto de 2026: Portugal verá a noite em pleno dia

Eclipse total do Sol de 12 de agosto de 2026: Portugal verá a noite em pleno dia

O primeiro eclipse total visível em Portugal desde 1912 atravessará o Parque Natural de Montesinho ao fim da tarde. De Norte a Sul, o país mergulhará numa penumbra rara, enquanto milhões acompanham o fenómeno ao vivo em plataformas digitais.

No final da tarde de 12 de agosto de 2026, Portugal viverá um dos acontecimentos astronómicos mais marcantes da sua história recente. O Sol, a Lua e a Terra alinhar-se-ão de forma tão precisa que, durante alguns segundos, o disco solar desaparecerá por completo no céu de Trás‑os‑Montes. É um fenómeno que não ocorre no país há mais de um século — o último eclipse total visível em território português aconteceu em 1912 — e que só voltará a repetir-se em 2144. Para a esmagadora maioria dos portugueses, este será o único eclipse total da vida.

A faixa de totalidade, estreita e quase cirúrgica, atravessa o Parque Natural de Montesinho, tocando aldeias como Rio de Onor, Guadramil e parte do concelho de Bragança. Ali, o Sol desaparecerá por completo, revelando a coroa solar — um halo de plasma com temperaturas superiores a um milhão de graus, invisível em qualquer outro momento. No resto do país, embora a totalidade não ocorra, o eclipse será igualmente impressionante: Braga, Viana do Castelo e Vila Real verão 99% de ocultação; Porto e Aveiro, 98%; Coimbra, cerca de 97%; Lisboa e Leiria, incluindo Alcobaça e Nazaré, cerca de 95%; e mesmo o Algarve ultrapassará os 93%. Madeira e Açores, mais afastados da faixa principal, ficarão entre os 77% e os 78%.

O fenómeno começa por volta das 18h30, atinge o máximo cerca das 19h30 e termina perto das 20h30. A coincidência com o pôr do sol torna tudo mais dramático: a luz cai de forma abrupta, a temperatura desce alguns graus, os pássaros silenciam-se e as sombras tornam-se mais nítidas. É uma espécie de crepúsculo invertido, em que a noite chega antes da hora e parte tão depressa quanto veio.

A sombra da Lua não se limita a Portugal. O eclipse será total também no norte de Espanha, na Islândia, na Gronelândia e em zonas do Ártico. A parcialidade estende-se por toda a Europa, pelo norte de África, pelo Médio Oriente e por parte da Ásia ocidental. Milhões de pessoas estarão dentro da área de visibilidade, tornando este um dos eclipses mais acompanhados da década.

A ciência prepara-se para aproveitar cada segundo. Equipas do Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço, da ESA e de universidades europeias vão estudar a coroa solar, as alterações atmosféricas súbitas e até o comportamento da fauna em Montesinho. Eclipses totais são laboratórios naturais raríssimos: permitem observar estruturas solares que, no dia comum, ficam escondidas pelo brilho intenso do Sol.

Mas observar o eclipse exige cuidados rigorosos. A retina não tem sensores de dor, o que significa que olhar para o Sol — mesmo por breves instantes — pode causar lesões irreversíveis, como a retinopatia solar. Óculos de sol comuns, vidros escurecidos, radiografias ou CDs não oferecem qualquer proteção. A única forma segura é usar óculos certificados ISO 12312‑2 ou filtros solares próprios para telescópios. Crianças devem privilegiar observação indireta. Em caso de visão turva, manchas escuras ou dor ocular, o SNS 24 deve ser contactado através do número 808 24 24 24.

Para quem não puder estar no terreno, o eclipse será transmitido ao vivo em várias plataformas digitais. A NASA fará cobertura global através do seu canal oficial: https://www.youtube.com/@NASA.

O Time and Date, conhecido pelas transmissões profissionais de eclipses em vários continentes, disponibilizará câmaras em diferentes países: https://www.youtube.com/@timeanddate.

A Agência Espacial Europeia também acompanhará o fenómeno: https://www.youtube.com/@ESA. Em Portugal, o Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço transmitirá sessões de observação e comentários científicos: https://www.youtube.com/@astropt

O Observatório Astronómico de Lisboa deverá disponibilizar imagens e explicações em direto: https://www.youtube.com/@observatorioastronomicodeLisboa.

A rede Ciência Viva, com centros em todo o país, também prepara transmissões e atividades públicas: https://www.youtube.com/@cienciaviva.

Nas redes sociais, a NASA fará lives no Instagram (https://www.instagram.com/nasa) e no TikTok (https://www.tiktok.com/@nasa). A ESA acompanhará no Instagram (https://www.instagram.com/europeanspaceagency, e no X/Twitter. Em Portugal, várias autarquias e observatórios regionais usarão Facebook, Instagram e YouTube para mostrar o eclipse em tempo real.

Televisões como RTP, SIC Notícias e CNN Portugal também deverão emitir imagens ao vivo, com acesso através das suas plataformas digitais: RTP Play — https://www.rtp.pt/play SIC Notícias — https://sicnoticias.pt CNN Portugal — https://cnnportugal.iol.pt.

Enquanto isso, milhares de pessoas deslocar-se-ão a locais de observação organizados, como o Aeródromo de Bragança, o Castelo de Estremoz, a Barragem da Bravura em Lagos, a Praia do Barril em Tavira, o Observatório de Travancinha em Seia ou o Parque de Astronomia de Constância. A Proteção Civil alerta para cuidados adicionais: evitar estacionar em acessos florestais, manter vias de emergência livres e respeitar as orientações das autoridades.

Quando o Sol desaparecer por instantes no céu transmontano, Portugal entrará numa breve noite que ficará na memória coletiva. Um eclipse total é mais do que um fenómeno astronómico: é uma experiência sensorial, científica e emocional que atravessa gerações. Em 2026, o país terá finalmente o seu momento — e, para quem o testemunhar, será impossível esquecer.

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