- Da Redação
A arte de marionetas Orteke, uma das expressões mais antigas da cultura cazaque, está a conquistar novas gerações e a expandir-se muito além das estepes onde nasceu. Reconhecida pela UNESCO como parte do património cultural do Cazaquistão, esta tradição combina música, ritmo e movimento numa performance que atravessa séculos e continua a reinventar-se.
Originária dos tempos nómadas, a Orteke — uma pequena cabra de madeira — ganha vida ao som de instrumentos tradicionais. O artista, puxando ritmicamente o fio que a sustém, transforma o gesto repetido num diálogo entre música e movimento, conferindo à marioneta personalidade própria. É uma arte que exige precisão, escuta e sensibilidade, e que sempre encantou públicos pela sua simplicidade engenhosa.
Hoje, esta herança cultural vive um novo ciclo. O conjunto Turan leva a cabra dançarina a palcos internacionais, apresentando a tradição a audiências globais. Já o grupo Zhoshy desenvolve espetáculos teatrais onde a Orteke assume novos papéis e narrativas, demonstrando a versatilidade da marioneta e a sua capacidade de dialogar com linguagens contemporâneas.
A renovação não se limita aos palcos. A Orteke tornou-se também ferramenta pedagógica, inspirando alunos do ensino básico e aproximando crianças da música, da história e da identidade cultural cazaque. Paralelamente, jovens criadores têm explorado a impressão 3D para produzir novas versões da marioneta, ampliando o acesso e garantindo a continuidade da tradição num mundo cada vez mais digital.
A Orteke, que outrora viajava pelas estepes nas mãos de artistas itinerantes, continua agora a mover-se — entre gerações, tecnologias e geografias — sem perder o seu coração ancestral. Uma prova de que o património vivo se transforma, adapta e permanece.






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