• da Redação, com agências de notícias

Nesta terça-feira, o Sindicato Nacional dos Jornalistas (SNJ) e a Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) formalizaram uma queixa junto da Procuradoria Nacional Antiterrorista (Pnat), em Paris. O alvo: as autoridades israelitas, acusadas de obstruir sistematicamente o trabalho da imprensa nos territórios palestinianos ocupados e de cometer crimes de guerra contra profissionais franceses.

A iniciativa, inédita em França, nasce de numerosos testemunhos de repórteres franceses que atuaram na região. O documento denuncia um “apagão informativo sem precedentes” em Gaza, enclave fechado à entrada de jornalistas estrangeiros desde 7 de outubro de 2023. A FIJ e o SNJ descrevem uma repressão implacável contra comunicadores palestinianos, somada a bloqueios administrativos e militares que impedem a cobertura independente do conflito.

“Bloqueio organizado e prolongado”

Segundo as advogadas Inès Davau e Louise El Yafi, responsáveis pela redação da queixa, não se trata de acusar indivíduos isolados, mas sim de expor um sistema de obstruções que envolve forças militares, policiais, aduaneiras e até colonos. “Quando se impede os jornalistas de entrar numa zona de guerra, impede-se a sociedade de compreender o que se está a passar”, afirmou El Yafi à Franceinfo.

Os relatos recolhidos são contundentes: acesso negado a áreas de conflito, equipamentos confiscados, intimidações armadas, detenções arbitrárias e até perseguições violentas. Um repórter francês relatou ter sido alvo de uma verdadeira “caça ao homem”, perseguido durante toda uma noite por cerca de cinquenta cidadãos israelitas armados.

A verdade como direito

Para Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ, a ação judicial é um passo necessário: “Não podemos continuar a aceitar que jornalistas franceses sejam impedidos de trabalhar, ameaçados ou visados em territórios onde o direito humanitário internacional é plenamente aplicável. Esta queixa recorda que ninguém está acima da lei e que a verdade não pode ser silenciada”.

O processo invoca o direito europeu, o Pacto Internacional sobre os Direitos Civis e Políticos e o Código Penal francês. Trata-se da primeira ação judicial em França que combina a denúncia de obstrução sistemática da profissão com acusações de crimes de guerra contra jornalistas.

Números da violência

De acordo com a FIJ, desde outubro de 2023 pelo menos 225 jornalistas palestinianos foram mortos, além de dezenas de feridos e desaparecidos. No mesmo período, o Ministério da Saúde de Gaza, governado pelo Hamas, contabilizou mais de 70 mil mortos em ataques israelitas. Após o cessar-fogo de 10 de outubro, outros 354 palestinianos perderam a vida em novas ofensivas. Estes números, atualizados regularmente, são considerados credíveis pela comunidade internacional.

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salvadornetooficial@gmail.com

Jornalista e escritor. Criador e Editor do Palavra Livre, cofundador da Associação das Letras com sede no Brasil (SC). Foi criador e apresentador de programas de TV e Rádio como Xeque Mate, Hora do Trabalhador entre outros trabalhos na área. Tem mais de 35 anos de experiência nas áreas de jornalismo, comunicação, assessoria de imprensa, marketing e planejamento. É autor dos livros Na Teia da Mídia (2011), Gente Nossa (2014) e Tinha um AVC no Meio do Caminho (2024). Tem vários textos publicados em antologias da Associação Confraria das Letras, onde foi diretor de comunicação.

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