A literatura que atravessa fronteiras e devolve humanidade ao nosso tempo
A literatura em língua portuguesa vive um dos seus momentos mais vibrantes. Não é apenas a força estética que se impõe — é a coragem política, a densidade humana, a capacidade de tocar feridas abertas e, ao mesmo tempo, oferecer caminhos de memória, resistência e reconstrução. Nesta curadoria ampliada, reunimos três obras que hoje formam o núcleo mais pulsante da produção lusófona contemporânea. Livros que não se contentam em entreter: eles interrogam, deslocam, iluminam.
1) Coração Sem Medo — Itamar Vieira Junior
A maternidade como resistência num país que insiste em desaparecer os seus
Editora:
- Portugal: Dom Quixote
- Brasil: Todavia
Preço:
- Portugal: 18,90 € a 19,90 € (brochado) / ~14,99 € (ebook)
- Brasil: R$ 60 a R$ 90 (físico) / R$ 35 a R$ 50 (ebook)
Itamar encerra a Trilogia da Terra com um romance que devolve centralidade à figura de Rita Preta, uma mãe que enfrenta o desaparecimento do filho e a violência estrutural que atravessa o Brasil profundo. É um livro que combina espiritualidade, denúncia e uma escrita que pulsa como documento e como poesia. A obra já se consolidou como um dos pilares da literatura lusófona atual — e deve ocupar lugar de destaque nas feiras de Lisboa, Porto e nos principais festivais literários brasileiros.
2) Foi o Preto — Ângelo Delgado
Um romance português que enfrenta o racismo estrutural sem desviar o olhar
Editora:
- Portugal: Oficina do Livro
- Brasil: edição ainda não confirmada
Preço:
- Portugal: 17,90 € a 18,50 € (brochado) / ~13,99 € (ebook)
- Brasil: previsão de R$ 50 a R$ 80 quando publicado
Ângelo Delgado entrega um dos romances mais urgentes do momento. A narrativa atravessa racismo estrutural, violência policial e memória coletiva com uma franqueza que incomoda — e precisa incomodar. É literatura que não pede licença, que não suaviza, que não se curva ao conforto. O livro deve circular com força nas feiras portuguesas, especialmente em mesas sobre identidade, desigualdade e Portugal contemporâneo.
3) O Lugar da Incerteza — Patrícia Reis
Trauma, silêncio e a busca por sentido numa Lisboa que também adoece
Editora:
- Portugal: Companhia das Letras Portugal
- Brasil: ainda sem edição anunciada
Preço:
- Portugal: 17,50 € a 18,90 € (brochado) / ~12,99 € (ebook)
- Brasil: previsão de R$ 55 a R$ 85 quando publicado
Patrícia Reis constrói um romance psicológico e intimista que se passa dentro e fora de um consultório de psiquiatria. É uma narrativa sobre trauma, identidade e a fragilidade humana — temas que dialogam profundamente com o debate contemporâneo sobre saúde mental. A obra deve ganhar espaço em feiras e festivais que discutem literatura urbana, escrita feminina e narrativas de cura.
A força da lusofonia como território literário
O que une esses três livros não é o tema, nem a geografia — é a coragem. A coragem de escrever sobre o que fere. A coragem de nomear o que o Estado silencia. A coragem de transformar dor em linguagem e linguagem em memória.
A literatura lusófona, hoje, não é periferia de nada: é centro, é voz, é corpo político. É um espaço onde Brasil, Portugal e África lusófona se encontram para pensar o mundo e, sobretudo, para pensar o humano.
Onde encontrá-los nas feiras
Estes títulos devem estar em destaque:
- Feira do Livro de Lisboa — stands da Dom Quixote, Oficina do Livro e Companhia das Letras
- Feira do Livro do Porto — mesas de literatura lusófona contemporânea
- Festivais literários portugueses — debates sobre território, identidade, trauma e desigualdade
- Bienais brasileiras — especialmente Rio e São Paulo, com forte presença de Itamar Vieira Junior
A circulação destes livros nas feiras não é apenas comercial — é política. É a reafirmação de que a língua portuguesa continua a produzir literatura que pensa, que denuncia, que cura e que resiste






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