BONITO CINESUR 2026 — O Cinema Sul-Americano em estado de encontro

BONITO CINESUR 2026 — O Cinema Sul-Americano em estado de encontro

Festival homenageia Paulina García, celebra o legado de Vincent Carelli e transforma Bonito em território de diálogo, memória e imaginação cinematográfica.

Bonito, no coração de Mato Grosso do Sul, Brasil, volta a ser ponto de convergência das narrativas sul‑americanas. De 24 de julho a 1º de agosto, a quarta edição do Bonito Cinesur reafirma o festival como um dos mais vibrantes espaços de integração cultural do continente, reunindo 32 produções de 13 países e uma programação que abraça diversidade, memória, ancestralidade e urgências contemporâneas.

A homenageada deste ano é a atriz chilena Paulina García, presença marcante no cinema latino-americano e reconhecida internacionalmente desde Gloria, papel que lhe rendeu o Urso de Prata em Berlim. García, que também brilhou em A Noiva do Deserto e Narcos, será celebrada não apenas pela carreira, mas pela força de suas personagens — mulheres que atravessam fronteiras, afetos e contradições. O festival abre justamente com “Querido Trópico”, filme que a traz de volta às telas em uma narrativa sensível sobre encontros improváveis e deslocamentos.

Outro nome de peso a ser reverenciado é o cineasta franco‑brasileiro Vincent Carelli, que receberá o Troféu Pantanal pelo conjunto de sua obra e pela criação do projeto Vídeo nas Aldeias, marco histórico na autonomia audiovisual dos povos indígenas. Carelli não apenas filmou, mas ensinou a filmar — gesto político que transformou comunidades, narrativas e a própria forma de pensar o cinema no Brasil.

A programação deste ano mergulha em temas que atravessam o continente: ditaduras, liberdade, clima, deslocamentos, ancestralidade e resistência. Entre os destaques está a pré‑estreia nacional de “Honestino”, de Aurélio Michiles, que reconstitui a trajetória do líder estudantil Honestino Guimarães, desaparecido pela ditadura militar em 1973. O filme chega ao festival como um chamado à memória e à justiça.

O documentário “Minha Terra Estrangeira”, de João Moreira Salles e Louise Botkay, acompanha o líder indígena Almir Suruí e sua filha Txai às vésperas das eleições de 2022, revelando tensões políticas e ambientais que moldam o futuro da Amazônia. Salles também ministrará uma aula magna sobre documentário, ampliando o caráter formativo do festival.

O Bonito Cinesur Educa, criado na edição anterior, ganha força em 2026 com oficinas, debates, encontros com realizadores e atividades voltadas ao público infantil — incluindo oficinas de animação e sessões infantojuvenis. Em uma cidade sem salas de cinema, o festival cumpre papel essencial ao aproximar crianças e jovens da linguagem audiovisual, criando novas possibilidades de futuro.

Mais que um evento, o Bonito Cinesur é um território de escuta e troca. Um lugar onde cineastas, estudantes, moradores e visitantes se encontram para pensar o cinema como ferramenta de transformação social, política e afetiva. Um festival que não apenas exibe filmes, mas cria comunidade — e que, a cada edição, reafirma a potência do olhar sul‑americano.

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