Opinião -COP30: Negacionismo, espetáculo e a pergunta que não cala — vamos salvar o mundo ou posar para a foto?

Opinião -COP30: Negacionismo, espetáculo e a pergunta que não cala — vamos salvar o mundo ou posar para a foto?

  • Por Salvador Neto – Editor

Belém do Pará, coração da Amazônia, será palco da COP30. Um evento global, com líderes de terno e gravata, discursos inflamados sobre “transição verde” e promessas que evaporam mais rápido que os rios voadores da floresta. Mas a pergunta que ecoa entre os que ainda acreditam na vida é simples: será a COP30 mais um teatro climático ou um ponto de virada real para evitar o colapso?

Salvador Neto

O negacionismo climático já não se esconde. Ele veste farda, terno, toga e até jaleco. Está nos governos que flexibilizam leis ambientais, nas corporações que financiam greenwashing e nos influenciadores que chamam aquecimento global de “histeria coletiva”. Enquanto isso, a Amazônia arde, os oceanos aquecem, e o planeta ultrapassa recordes de temperatura mês após mês. A ciência grita, mas o poder político responde com sorrisos e metas para 2050 — quando muitos dos que decidem hoje já estarão aposentados ou mortos.

A COP30 deveria ser o momento da virada. Mas o que se vê nos bastidores é preocupante. O lobby do petróleo e do agronegócio já garantiu credenciais VIP. Governos do Norte Global chegam com discursos prontos, mas mãos vazias. E o Sul Global, que sofre os piores impactos, ainda mendiga por um fundo climático que nunca se concretiza. O Brasil, anfitrião do evento, vive sua própria contradição: enquanto promove a imagem de guardião da floresta, libera recordes de agrotóxicos e flexibiliza licenças ambientais.

A pergunta que não quer calar é: quantas COPs ainda teremos até que a primeira árvore seja mais importante que o último barril de petróleo? Quantas promessas vazias até que o planeta diga “basta”? A COP30 pode ser histórica — mas só se romper com o ciclo de discursos e partir para ações vinculantes, com prazos curtos e fiscalização real. Caso contrário, será apenas mais um evento para alimentar egos, selfies e relatórios que ninguém lê.

O tempo acabou. O planeta não negocia. Ou agimos agora, ou seremos lembrados como a geração que teve todas as chances — e escolheu o colapso.

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