🌍 Dez anos do Acordo de Paris: entre promessas e sabotagens

🌍 Dez anos do Acordo de Paris: entre promessas e sabotagens

  • Da Redação

No dia 12 de dezembro de 2015, em Paris, líderes de 195 países assinaram um pacto que foi descrito como histórico: o Acordo de Paris. O compromisso era claro — “reforçar a resposta global à ameaça das alterações climáticas” e manter o aumento da temperatura média global bem abaixo dos 2°C em relação aos níveis pré-industriais, com esforços para limitar a subida a 1,5°C.

Uma década depois, o planeta continua a aquecer em ritmo excessivo. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente (PNUA) alerta que as projeções atuais já apontam para 2,3 a 2,5°C de aumento até o fim do século, podendo chegar a 2,8°C se prevalecerem as políticas vigentes. O secretário-geral da ONU, António Guterres, reconheceu: “Ultrapassar o limite de 1,5°C é inevitável”.

🔥 O peso das escolhas políticas

O futuro não se mostra mais promissor. Pouco depois de assumir a presidência, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo, alegando que não refletia os valores americanos. A decisão inspirou outros países a cogitar o mesmo caminho, como a Suíça, embora sem concretizar a saída.

Essas rupturas fragilizam o pacto e expõem a vulnerabilidade de um esforço que depende da cooperação global. O resultado é visível: incêndios devastaram Portugal e Grécia em 2024, chuvas torrenciais em Valência mataram mais de 150 pessoas em apenas oito horas, e tempestades como a Boris inundaram a Europa Central. A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alerta que a Europa é hoje o continente que aquece mais rápido, suportando o peso dos fenómenos extremos.

🌊 Migrações e impactos sociais

O Banco Mundial estima que 216 milhões de pessoas poderão ser forçadas a migrar dentro dos seus próprios países até 2050, fugindo da escassez de água, da queda da produtividade agrícola e da subida do nível do mar.

A crise climática não é apenas ambiental: é social, econômica e política. A Météo-France calcula que França e Córsega já aqueceram +2,1°C entre 2015 e 2024, podendo chegar a +4°C até 2100. Cada grau adicional aumenta em 7% a capacidade do ar de reter vapor de água, intensificando chuvas, secas e ondas de calor. Os oceanos, que armazenam 91% do excesso de calor, perdem gradualmente a capacidade de absorver carbono, agravando o ciclo.

📉 O preço da inação

Um relatório das Nações Unidas, publicado em dezembro de 2025, alerta que sem uma transformação profunda nos sistemas energético e alimentar, o PIB global poderá cair 4% até 2050, com milhões de vidas em risco. A recomendação é clara: uma abordagem “interligada, de toda a sociedade e de todo o governo”.

✊ Resistência e denúncia

Dez anos após a assinatura, movimentos sociais voltaram às ruas. A Greenpeace, a Action Justice Climat Paris e a ANV-COP 21 exibiram uma faixa gigante junto à Torre Eiffel, denunciando líderes que favoreceram indústrias poluentes e bilionários em detrimento do interesse coletivo.

“A sabotagem climática não é inevitável; é resultado de escolhas políticas ditadas por interesses privados”, condenou a Greenpeace.

O balanço é amargo: desinformação avança, defensores do ambiente são criminalizados, retrocessos ecológicos multiplicam-se. O que foi celebrado como histórico em 2015 hoje se revela como um campo de disputa entre memória, promessa e sabotagem

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