Da inauguração com o Presidente da República aos autógrafos que se multiplicam como constelações, a 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa confirma-se como o maior palco literário do país — diverso, popular, afetivo e surpreendentemente contemporâneo.
Lisboa abre as páginas: o Parque Eduardo VII como território literário
Há um momento, todos os anos, em que Lisboa muda de respiração. O Parque Eduardo VII deixa de ser apenas um parque: torna-se uma cidade dentro da cidade, com ruas de editoras, praças de encontros, relvados de histórias e pavilhões que parecem pequenas embarcações cheias de mundos.
A 96.ª Feira do Livro de Lisboa é isso: um organismo vivo, onde se cruzam leitores, autores, crianças, famílias, curiosos, turistas, bibliotecários, professores, poetas, influencers literários e gente que simplesmente gosta de estar onde os livros estão.
E este ano, a programação é tão vasta que parece um festival contínuo — um festival que começa ao meio-dia, atravessa a tarde e se estende pela noite dentro.
A inauguração que marcou o arranque
A cerimónia oficial trouxe peso institucional e simbolismo:
- António José Seguro, Presidente da República,
- Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto,
- Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.
A presença conjunta reforçou a mensagem: o livro continua a ser um bem público essencial.
Os nomes que fazem a Feira pulsar
A programação diária é um desfile de autores, vozes e estilos. Entre centenas de sessões, destacam-se:
- Luís Phillipe Jorge, com Nutriterapia, presença constante em autógrafos e apresentações.
- Fabiana Costa, autora de A Cor das Memórias, que atrai leitores de várias gerações.
- Pablo Herrera Neves e Maiana Lisboa, dupla que movimenta o público lusófono.
- Bárbara Ramos Dias, psicóloga e autora, com o novo Dizer Não é um Ato de Amor.
- Antonello Visi, com o intrigante Um livro para não ser lido.
- Inês Ramos, com O silêncio da minha cor.
- Victoria Satindór, autora de 26 de Junho – Um Lindo Dia para Amar.
- Aires Muscate, com A Beira do Vento e O Bijagó.
- Andreia de Oliveira, com A Miúda e a Cadela.
- Joaquim Sequeira, com Ecos da Liberdade.
- Anika, com Journaling Ritualiza-te.
- Liliana Cunha, autora de Mãe, Não Apagues a Luz Truz Truz.
- Denise Legat, com Bita, a Cabrita.
- Rui Fernandes, com Dez Meses.
- Miguel Meira e Cruz, presença forte na programação infantil.
E isto é apenas a superfície. A Feira é um mapa de vozes — e cada dia acrescenta novas coordenadas.
Livros do Dia: o ritual que move multidões
A lista diária é um dos motores da Feira. Entre os destaques recentes:
- O Poder do Subconsciente, Joseph Murphy
- Um Homem Chamado Ove, Fredrik Backman
- O Caderno Proibido, Alba de Céspedes
- Obra Completa de Alberto Caeiro, Fernando Pessoa
- Monstros Fabulosos, Alberto Manguel
- Invencível, Stanislaw Lem
- Ao Paraíso, Hanya Yanagihara
- À Sombra das Raparigas em Flor, Marcel Proust
- A Biblioteca dos Livros Proibidos, Tom Pugh
- Sete Luas de Maali Almeida, Shehan Karunatilaka
A diversidade é evidente: clássicos, contemporâneos, infantis, ensaios, ficção científica, poesia, espiritualidade, BD, culinária, saúde, história, filosofia.
A Feira como experiência sensorial
A programação não é apenas literária — é sensorial.
- Hora do Conto diária, com autores, mascotes e música.
- Cinema ao ar livre, numa das novidades mais celebradas.
- Sextas com Música, que transformam o parque num anfiteatro natural.
- Workshops, de serigrafia a saúde, de escrita a criatividade.
- Programação infantil, que ocupa relvados inteiros com cor, imaginação e alegria.
- Festival Acessível, distinguido pela aposta em inclusão.
- Feira mais verde, com iniciativas de sustentabilidade.
- Doe os seus livros, gesto simples que prolonga a vida da leitura.
A Feira é, cada vez mais, um espaço de convivência cultural — e não apenas de compra.
SERVIÇO — Para quem vai à Feira
Local: Parque Eduardo VII, Lisboa Datas: até 12 de junho Horários:
- 2.ª a 5.ª: 12h–22h
- 6.ª e vésperas de feriado: 12h–23h
- Sábados: 10h–23h
- Domingos e feriados: 10h–22h
Como chegar:
- Metro: Marquês de Pombal, Parque
- Carris: 207, 711, 712, 720, 723, 726, 727, 732, 736, 738, 744, 746, 748, 753, 783
- Gira: Estações 307, 308, 365, 366
- Carro: Estacionamentos parceiros com condições especiais via app
Destaques da edição:
- Festival Acessível
- Sextas há Música
- Cinema ao ar livre
- Programação infantil diária
- Hora H (descontos mínimos de 50%)
- Feira mais verde
- Acampar com Histórias
Porque a Feira importa
Num país onde a leitura ainda luta por espaço, a Feira do Livro de Lisboa é mais do que um evento: é um gesto coletivo de resistência cultural. É o lugar onde o livro volta a ser encontro, conversa, descoberta, surpresa. Onde a literatura se mistura com a vida — e a vida, por alguns dias, parece mais leve.
Por Salvador Neto Editor, escritor e fundador do Palavra






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