Feira do Livro de Lisboa 2026: quando a cidade se transforma numa biblioteca ao ar livre

Feira do Livro de Lisboa 2026: quando a cidade se transforma numa biblioteca ao ar livre

Da inauguração com o Presidente da República aos autógrafos que se multiplicam como constelações, a 96.ª edição da Feira do Livro de Lisboa confirma-se como o maior palco literário do país — diverso, popular, afetivo e surpreendentemente contemporâneo.

Lisboa abre as páginas: o Parque Eduardo VII como território literário

Há um momento, todos os anos, em que Lisboa muda de respiração. O Parque Eduardo VII deixa de ser apenas um parque: torna-se uma cidade dentro da cidade, com ruas de editoras, praças de encontros, relvados de histórias e pavilhões que parecem pequenas embarcações cheias de mundos.

A 96.ª Feira do Livro de Lisboa é isso: um organismo vivo, onde se cruzam leitores, autores, crianças, famílias, curiosos, turistas, bibliotecários, professores, poetas, influencers literários e gente que simplesmente gosta de estar onde os livros estão.

E este ano, a programação é tão vasta que parece um festival contínuo — um festival que começa ao meio-dia, atravessa a tarde e se estende pela noite dentro.

A inauguração que marcou o arranque

A cerimónia oficial trouxe peso institucional e simbolismo:

  • António José Seguro, Presidente da República,
  • Margarida Balseiro Lopes, Ministra da Cultura, Juventude e Desporto,
  • Carlos Moedas, Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

A presença conjunta reforçou a mensagem: o livro continua a ser um bem público essencial.

Os nomes que fazem a Feira pulsar

A programação diária é um desfile de autores, vozes e estilos. Entre centenas de sessões, destacam-se:

  • Luís Phillipe Jorge, com Nutriterapia, presença constante em autógrafos e apresentações.
  • Fabiana Costa, autora de A Cor das Memórias, que atrai leitores de várias gerações.
  • Pablo Herrera Neves e Maiana Lisboa, dupla que movimenta o público lusófono.
  • Bárbara Ramos Dias, psicóloga e autora, com o novo Dizer Não é um Ato de Amor.
  • Antonello Visi, com o intrigante Um livro para não ser lido.
  • Inês Ramos, com O silêncio da minha cor.
  • Victoria Satindór, autora de 26 de Junho – Um Lindo Dia para Amar.
  • Aires Muscate, com A Beira do Vento e O Bijagó.
  • Andreia de Oliveira, com A Miúda e a Cadela.
  • Joaquim Sequeira, com Ecos da Liberdade.
  • Anika, com Journaling Ritualiza-te.
  • Liliana Cunha, autora de Mãe, Não Apagues a Luz Truz Truz.
  • Denise Legat, com Bita, a Cabrita.
  • Rui Fernandes, com Dez Meses.
  • Miguel Meira e Cruz, presença forte na programação infantil.

E isto é apenas a superfície. A Feira é um mapa de vozes — e cada dia acrescenta novas coordenadas.

Livros do Dia: o ritual que move multidões

A lista diária é um dos motores da Feira. Entre os destaques recentes:

  • O Poder do Subconsciente, Joseph Murphy
  • Um Homem Chamado Ove, Fredrik Backman
  • O Caderno Proibido, Alba de Céspedes
  • Obra Completa de Alberto Caeiro, Fernando Pessoa
  • Monstros Fabulosos, Alberto Manguel
  • Invencível, Stanislaw Lem
  • Ao Paraíso, Hanya Yanagihara
  • À Sombra das Raparigas em Flor, Marcel Proust
  • A Biblioteca dos Livros Proibidos, Tom Pugh
  • Sete Luas de Maali Almeida, Shehan Karunatilaka

A diversidade é evidente: clássicos, contemporâneos, infantis, ensaios, ficção científica, poesia, espiritualidade, BD, culinária, saúde, história, filosofia.

A Feira como experiência sensorial

A programação não é apenas literária — é sensorial.

  • Hora do Conto diária, com autores, mascotes e música.
  • Cinema ao ar livre, numa das novidades mais celebradas.
  • Sextas com Música, que transformam o parque num anfiteatro natural.
  • Workshops, de serigrafia a saúde, de escrita a criatividade.
  • Programação infantil, que ocupa relvados inteiros com cor, imaginação e alegria.
  • Festival Acessível, distinguido pela aposta em inclusão.
  • Feira mais verde, com iniciativas de sustentabilidade.
  • Doe os seus livros, gesto simples que prolonga a vida da leitura.

A Feira é, cada vez mais, um espaço de convivência cultural — e não apenas de compra.

SERVIÇO — Para quem vai à Feira

Local: Parque Eduardo VII, Lisboa Datas: até 12 de junho Horários:

  • 2.ª a 5.ª: 12h–22h
  • 6.ª e vésperas de feriado: 12h–23h
  • Sábados: 10h–23h
  • Domingos e feriados: 10h–22h

Como chegar:

  • Metro: Marquês de Pombal, Parque
  • Carris: 207, 711, 712, 720, 723, 726, 727, 732, 736, 738, 744, 746, 748, 753, 783
  • Gira: Estações 307, 308, 365, 366
  • Carro: Estacionamentos parceiros com condições especiais via app

Destaques da edição:

  • Festival Acessível
  • Sextas há Música
  • Cinema ao ar livre
  • Programação infantil diária
  • Hora H (descontos mínimos de 50%)
  • Feira mais verde
  • Acampar com Histórias

Porque a Feira importa

Num país onde a leitura ainda luta por espaço, a Feira do Livro de Lisboa é mais do que um evento: é um gesto coletivo de resistência cultural. É o lugar onde o livro volta a ser encontro, conversa, descoberta, surpresa. Onde a literatura se mistura com a vida — e a vida, por alguns dias, parece mais leve.

Por Salvador Neto Editor, escritor e fundador do Palavra

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