Incêndios mais frequentes, mais intensos e mais mortais revelam impacto direto das alterações climáticas no continente.
Os fogos florestais voltaram a marcar o verão europeu com força devastadora. França, Alemanha, Grécia, Espanha e Portugal enfrentam chamas que avançam sem controlo, provocam evacuações em massa, destroem meios de subsistência e já tiraram vidas de bombeiros em França e Itália.
O alerta mais recente veio da Organização Mundial da Saúde (OMS), que aponta um aumento de 57% nos incêndios florestais na Europa desde 2022, um sinal claro de que o continente está a entrar numa nova era de emergência ambiental.
Entre janeiro e 22 de julho deste ano, foram registados 1.254 incêndios, responsáveis pela emissão de mais de 8,31 milhões de toneladas de CO₂. Portugal e Espanha destacam-se negativamente: ambos duplicaram o número de incêndios em relação ao mesmo período de 2025. No ano passado, cerca de 2,2 milhões de hectares arderam; em 2026, já são mais de 254 mil hectares destruídos, segundo dados do Sistema Europeu de Informação sobre Incêndios Florestais (EFFIS).
Hans Henri P. Kluge, diretor da OMS Europa, reforça que a tendência é de agravamento. “À medida que as alterações climáticas aquecem o planeta, precisamos de nos preparar para incêndios florestais mais frequentes e intensos”, afirmou. O impacto, porém, vai muito além das chamas. O fumo libertado pode viajar centenas de quilómetros, deteriorando a qualidade do ar e expondo milhões de pessoas a uma mistura perigosa de poluentes como partículas finas PM2,5, NO₂, ozono e até chumbo.
Quando as chamas atingem áreas urbanas, o risco aumenta: materiais como plásticos, tintas, mobiliário e equipamentos eletrónicos libertam substâncias tóxicas que agravam doenças respiratórias, cardíacas e até problemas de saúde mental. Idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas estão entre os mais vulneráveis.
A OMS pede aos governos que reforcem sistemas de alerta, garantam informação clara à população e assegurem acesso rápido a cuidados de saúde. Para quem vive ou viaja em zonas afetadas, as recomendações incluem evitar deslocações desnecessárias, manter distância das áreas de risco e usar máscaras bem ajustadas quando exposto ao fumo.
Com o continente a enfrentar verões cada vez mais extremos, a Europa vê-se obrigada a repensar estratégias de prevenção, resposta e adaptação. Os incêndios já não são episódios isolados: tornaram-se um sintoma evidente da crise climática que avança sem tréguas.






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