É preciso que a saudade desenhe tuas linhas perfeitas,
teu perfil exato e que, apenas, levemente, o vento
das horas ponha um frêmito em teus cabelos…
É preciso que a tua ausência trescale
sutilmente, no ar, a trevo machucado,
as folhas de alecrim desde há muito guardadas
não se sabe por quem nalgum móvel antigo…
Mas é preciso, também, que seja como abrir uma janela
e respirar-te, azul e luminosa, no ar.
É preciso a saudade para eu sentir
como sinto – em mim – a presença misteriosa da vida…
Mas quando surges és tão outra e múltipla e imprevista
que nunca te pareces com o teu retrato…
E eu tenho de fechar meus olhos para ver-te.

Presença, de Mario Quintana
Tags:
Comments
Search
Categories
- Blog-noticias-geral (2.545)
- Cidadania e Política (2.638)
- Ciência e Tecnologia (460)
- Cultura, Literatura e Artes (1.482)
- Economia (1.129)
- Educação e Sociedade (1.143)
- Entrevistas (3)
- Esporte (1)
- Imprensa e Comunicação (1.825)
- Lusofonia (12)
- Memória e Direitos Humanos (27)
- Mulheres e Violência de Gênero (4)
- Noticias (3.060)
- Notícias Gerais (2.017)
- Opinião (107)
- Poesia (292)
- Saúde (5)
Recent Posts
- Tela Brasil: o streaming público que devolve ao país o direito de se ver
- Protegido: A ciência que retorna do silêncio: o que 41 kg de experimentos chineses revelam sobre o futuro da vida humana
- Crónica – “O amor que não era bem amor, mas também não era outra coisa”
- Editorial – Quando a soberania é ferida por dentro: a família Bolsonaro e o limite constitucional da traição





Deixe um comentário