Poesia – “Restos de Luz”

Poesia – “Restos de Luz”

Por Salvador Neto 

Nas ruas molhadas de promessas desfeitas, 
Lisboa respira o eco dos teus passos. 
Nos becos de azulejos partidos, 
a tua ausência veste a cidade de silêncio. 

A ponte suspensa segura memórias 
como quem segura um adeus já tardio. 
O elétrico desliza sem destino, 
mas ainda te procura na curva da despedida. 

O Tejo, cúmplice, engole segredos 
que a brisa devolve aos cais vazios. 
E eu, feito sombra na calçada, 
coleciono ecos do que fomos 
— ou do que nunca voltaremos a ser. 

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