Editorial — O Brasil rompe o mito e ergue-se contra o neofascismo

Editorial — O Brasil rompe o mito e ergue-se contra o neofascismo

A prisão de Jair Bolsonaro não é apenas o encerramento de uma biografia política marcada por escândalos e crimes. É um marco civilizatório. O Brasil, tantas vezes ferido por golpes e ditaduras, mostra ao mundo que é capaz de punir quem tentou abolir o Estado democrático de direito. O “mito” cai, e o que se revela é um projeto neofascista sustentado por mentiras, violência e desprezo pela vida.

Salvador Neto – Editor

Durante seu governo, Bolsonaro sabotou a ciência, atrasou vacinas, zombou da dor das famílias e transformou a pandemia em palco de negacionismo. O resultado: mais de 700 mil mortos, vítimas de uma política deliberada de descaso. Em 2022, articulou uma tentativa de golpe de Estado, conspirando com militares e aliados para impedir a posse de um presidente eleito. Corrompeu instituições, interferiu na Polícia Federal, usou a Abin para fins criminosos, atacou o STF, o Congresso, a imprensa, as universidades e as minorias.

Mas o Brasil reagiu. E reagiu com instituições funcionando. A prisão de Bolsonaro é fruto de investigações sérias, provas documentais e testemunhais, relatórios técnicos, quebra de sigilos, análise de mensagens, confissões e delações. O processo respeitou todas as garantias legais, com ampla defesa e contraditório. A condenação não é vingança — é justiça. E a justiça, quando atua com firmeza e transparência, fortalece a democracia.

O bolsonarismo foi expressão local de um movimento global de extrema-direita, que se alimenta de fake news, culto à violência e desprezo pelas instituições. Ao condenar Bolsonaro e generais cúmplices, o Brasil envia uma mensagem clara: nenhum líder está acima da lei. A democracia pode sangrar, mas não se rende. A prisão é memória e reparação: lembrar os mortos da pandemia, os ataques às instituições, os danos ao patrimônio público, para que nunca se repita.

O Brasil ergue-se como farol democrático. Mostra que é possível resistir e vencer, que a esperança renasce mesmo após a noite mais sombria. A prisão de Bolsonaro não é apenas um ato jurídico; é um gesto civilizatório, uma vitória da dignidade sobre o autoritarismo, da vida sobre a política da morte.

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