No Natal, papa denuncia dor dos palestinos em Gaza

No Natal, papa denuncia dor dos palestinos em Gaza

  • Da Redação

No seu primeiro sermão de Natal como pontífice, o papa Leão XIV fez um apelo raro e contundente em defesa dos palestinos em Gaza, denunciando as condições extremas enfrentadas pela população após semanas de chuva, frio e deslocamento forçado. Durante a celebração na Basílica de São Pedro, o papa evocou a imagem bíblica do nascimento de Jesus num estábulo para sublinhar a fragilidade humana diante da violência e da guerra. “Como não pensar nas tendas em Gaza, expostas ao vento e ao frio?”, questionou.

Eleito em maio para suceder o papa Francisco, Leão XIV — o primeiro papa norte‑americano — tem um estilo mais diplomático e discreto, mas escolheu o Natal para romper o silêncio político habitual e dirigir um apelo direto à comunidade internacional. Reafirmou que a solução para o conflito israelo‑palestino passa pela criação de um Estado palestino, posição que já havia defendido publicamente no mês anterior.

Migrantes, refugiados e a recusa da indiferença

Na bênção de Natal, o pontífice ampliou o foco e lamentou a situação dos migrantes que atravessam o continente norte‑americano, retomando um dos temas centrais do seu trabalho pastoral inicial. Sem mencionar nomes, criticou políticas de repressão à imigração e recordou, na homilia da véspera, que negar ajuda a pobres e estrangeiros é rejeitar o próprio Deus.

“Feridas abertas” da guerra

Leão XIV dedicou parte significativa da celebração às vítimas de conflitos armados. Falou das “populações indefesas” marcadas por guerras prolongadas e dos jovens enviados às frentes de combate, expostos à “insensatez” e às “falsidades” de discursos que os empurram para a morte.

Recordou que, apesar do cessar‑fogo entre Israel e Hamas em outubro, a ajuda humanitária continua insuficiente e quase toda a população de Gaza permanece desabrigada. A denúncia ecoou o alerta de agências internacionais que relatam a persistência da crise humanitária no território.

Apelo global: Ucrânia, Sudão, Mali, Mianmar, Tailândia e Camboja

Na tradicional mensagem Urbi et Orbi, o papa pediu o fim de todas as guerras em curso. Lamentou a violência que atormenta a Ucrânia e apelou para que as partes envolvidas encontrem coragem para um diálogo “sincero, direto e respeitoso”.

Também mencionou os confrontos na fronteira entre Tailândia e Camboja, que já provocaram dezenas de mortes, pedindo a restauração da “antiga amizade” entre as nações. Citou ainda crises no Sudão, Mali e Mianmar, reforçando a necessidade de reconciliação e paz em todos os continentes.

Síntese

O primeiro Natal de Leão XIV marcou uma viragem no tom do seu pontificado: um apelo firme, global e humanitário. Da Palestina à Ucrânia, dos migrantes às vítimas invisíveis de conflitos esquecidos, o papa convocou o mundo a reconhecer a fragilidade humana e a urgência da paz. Um sermão que devolve ao Natal o seu sentido político mais profundo: a defesa incondicional da vida.

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