Educação e políticas públicas como o Bolsa Família impulsionam avanço histórico do país, que alcança 0,805 no IDHM e entra na elite mundial do desenvolvimento humano.
Um marco histórico para o Brasil
O Brasil acaba de alcançar o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDHM) da sua história. Segundo o relatório Radar IDHM, divulgado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), o país atingiu 0,805 em 2024, entrando pela primeira vez na categoria de “muito alto desenvolvimento humano” — um patamar reservado às nações com melhor desempenho em educação, saúde e renda.
O salto é expressivo: em 2012, o índice era de 0,744. Três décadas atrás, o Brasil figurava entre os países de IDH baixo, com menos de 0,555. A coordenadora da Unidade de Desenvolvimento Humano do PNUD Brasil, Betina Barbosa, destaca que o avanço é resultado direto de políticas públicas consistentes, especialmente na área educacional.
Educação como motor do progresso
Entre 2012 e 2024, o componente educacional do IDHM passou de 0,679 para 0,798, tornando-se o principal vetor de crescimento. Segundo Betina Barbosa, o Bolsa Família foi decisivo nesse processo: “O programa retira crianças do trabalho e garante a permanência na escola. É um efeito direto de uma política pública brasileira”, afirmou.
O impacto é mais visível entre famílias de baixa renda, sobretudo negras e periféricas, que passaram a apresentar melhores indicadores de escolaridade e desempenho. “A inclusão da população negra e das mulheres é essencial para o desenvolvimento brasileiro”, reforça a especialista.
Saúde e renda: avanços e desafios
A saúde mantém desempenho elevado desde 2012, com índice de 0,860 em 2024, impulsionado pela consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS). Já a renda evolui mais lentamente — de 0,732 para 0,760 — refletindo desigualdades persistentes e a necessidade de políticas de geração de emprego e valorização salarial.
Regiões metropolitanas puxam o país para cima
O estudo mostra que as regiões metropolitanas são hoje os motores do desenvolvimento humano brasileiro. Cidades como Natal (0,822), Aracaju (0,809), Grande Teresina (0,809), Recife (0,806), São Luís (0,806), Salvador (0,803) e João Pessoa (0,803) já apresentam índices “muito altos”, um feito inédito para o Nordeste.
Esses territórios, antes considerados periféricos, agora ajudam a elevar a média nacional. “São regiões que passaram de puxar o país para baixo a impulsionar o Brasil para cima”, resume Betina Barbosa.
Pandemia e recuperação lenta
O relatório também registra o impacto da pandemia de covid-19, que fez o IDHM cair para 0,757 em 2021. A resposta tardia às crises sistêmicas e o aumento da mortalidade infantil ainda preocupam o PNUD. “Não houve reação suficientemente rápida para conter os efeitos da pandemia”, alerta a coordenadora.
O que o novo índice revela
Mais do que números, o avanço do IDHM mostra um país que começa a colher os frutos de décadas de investimento social. Mas também revela os desafios que persistem: desigualdade racial, disparidade de gênero e concentração de renda. O Brasil chega à elite do desenvolvimento humano, mas ainda precisa garantir que esse progresso seja sustentável e inclusivo.
Por Salvador Neto Editor, escritor e fundador do Palavra Livre






Deixe um comentário