A árvore que fala dentro de nós

A árvore que fala dentro de nós

Sobre como Teolinda Gersão nos devolve a alegria de ouvir o mundo

  • Por Salvador Neto

Há livros que não se leem apenas: acontecem. A árvore das palavras, de Teolinda Gersão, é um desses raros encontros em que a literatura parece abrir uma janela secreta dentro da nossa própria memória — e, quando damos por isso, estamos a respirar um ar mais leve, mais vivo, mais cheio de sentido.

Ler este romance é como entrar num quintal antigo onde tudo — absolutamente tudo — tem voz. As árvores, os bichos, as sombras, os silêncios. E, sobretudo, as pessoas que crescem entre esses elementos, aprendendo que o mundo não é feito apenas de factos, mas de histórias que se entrelaçam como raízes subterrâneas.

Gersão escreve com uma delicadeza que não é frágil: é firme como o tronco de uma árvore que resistiu a muitas estações. A sua prosa tem aquele brilho raro de quem sabe que a infância não é um lugar que se abandona — é um território que se carrega para sempre. E é justamente aí que o livro nos toca: recorda-nos que a alegria pode ser simples, que a imaginação é uma forma de liberdade, e que as palavras são sementes que nunca param de germinar.

A cada capítulo, o leitor reencontra algo que julgava perdido: o espanto, a ternura, a capacidade de ver o extraordinário no quotidiano. E quando o livro termina, fica uma sensação boa — quase física — de que o mundo continua cheio de pequenas maravilhas, se estivermos dispostos a escutá‑las.

É um romance que faz bem. Que ilumina. Que devolve ao leitor uma felicidade tranquila, dessas que duram mais do que o tempo da leitura.

Ficha técnica

Título: A árvore das palavras Autora: Teolinda Gersão Género: Romance Editora: Sextante Edição: 10.ª edição

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