Investigadores da Universidade de New South Wales e do Instituto SETI identificam 27 planetas candidatos em sistemas binários, abrindo novas janelas para compreender a formação planetária em ambientes de dupla estrela.
Astrónomos revelam 27 possíveis planetas circumbinários — uma descoberta que amplia o mapa do cosmos
Uma equipa internacional de astrónomos anunciou a identificação de 27 possíveis planetas gémeos, orbitando sistemas estelares binários — aqueles compostos por duas estrelas que giram em torno de um centro comum. O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, foi liderado por Margo Thornton, doutoranda na Universidade de New South Wales e investigadora do Instituto SETI, e utilizou dados do satélite TESS, da NASA.
A descoberta representa um avanço significativo na busca por mundos semelhantes ao nosso, mas em condições muito mais complexas — planetas circumbinários, como o mítico Tatooine da saga Star Wars, onde dois sóis iluminam o horizonte.
Um novo método para ver o invisível
Tradicionalmente, os astrónomos detetam exoplanetas observando o momento em que um corpo passa à frente da sua estrela, reduzindo ligeiramente o brilho — o chamado método do trânsito. Mas esse método falha quando o sistema não está perfeitamente alinhado com a Terra.
A equipa australiana recorreu a uma técnica inovadora: a análise das variações temporais dos eclipses entre as duas estrelas. Pequenas oscilações no tempo desses eclipses podem indicar a presença de um planeta cuja gravidade altera o movimento do sistema. Esse fenómeno, conhecido como precessão apsidal, permite inferir a existência de corpos invisíveis apenas pela sua influência gravitacional.
Resultados surpreendentes
Dos 1.590 sistemas binários eclipsantes estudados, 71 apresentaram variações orbitais inexplicáveis. Em 36 casos, os dados sugerem a presença de um terceiro corpo, e em 27 deles, a hipótese mais provável é a existência de um planeta de dimensão comparável à Terra ou Júpiter.
Até agora, apenas 18 planetas circumbinários tinham sido confirmados. A nova amostra pode multiplicar esse número e ajudar a compreender como os planetas se formam e sobrevivem em sistemas com duas fontes de luz e calor.
Por que esta descoberta é importante
Segundo os autores, o método pode revelar centenas de novos mundos que escapam às técnicas atuais. Além disso, oferece uma oportunidade única para testar teorias sobre migração planetária e estabilidade orbital em ambientes extremos.
O estudo também reforça o papel do TESS e do catálogo Gaia, da Agência Espacial Europeia, como ferramentas complementares na exploração de sistemas binários. A combinação de séries temporais mais longas e observações de alta precisão poderá expandir o mapa dos exoplanetas conhecidos.
O futuro da busca por mundos duplos
A descoberta reacende o debate sobre a diversidade dos sistemas planetários e sobre a possibilidade de vida em ambientes com duas estrelas. Embora ainda sejam candidatos e necessitem de confirmação, esses 27 mundos representam uma nova fronteira na astrofísica moderna — e um lembrete de que o universo é mais complexo e fascinante do que imaginamos.






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