Deputada espanhola de Más Madrid defende que a tecnologia já ameaça democracias e pede regulação urgente.
A advertência veio em tom firme e calculado. Em entrevista ao jornal espanhol El País, a deputada Tesh Sidi — engenheira informática, ativista e integrante do partido Más Madrid — afirmou que a inteligência artificial representa um risco comparável ao das grandes armas do século XX. “A IA é mais perigosa que o fascismo. É a bomba atômica deste século”, declarou.
Aos 32 anos, Sidi nasceu no campo de refugiados de Tindouf, no Saara Ocidental, e tornou‑se uma das vozes mais atentas ao impacto das tecnologias emergentes na política. Para ela, as redes sociais já funcionam como instrumentos capazes de desestabilizar Estados, alimentando desinformação, polarização e manipulação emocional em larga escala.
Entre a tecnologia e a política
Com formação técnica e atuação política, Sidi transita entre dois mundos que raramente dialogam. No Congresso dos Deputados, em Madrid, tem defendido causas ligadas aos direitos civis e à nacionalidade dos descendentes de espanhóis nascidos no Saara Ocidental. Mas é na área tecnológica que sua preocupação cresce.
Segundo a deputada, a velocidade com que algoritmos moldam comportamentos supera a capacidade de resposta das instituições democráticas, tanto na Espanha quanto em outros países. “Estamos lidando com algo que não compreendemos totalmente, mas que já influencia eleições, mercados e relações sociais”, afirma.
Um cenário político em tensão
A entrevista surge num momento delicado para o governo espanhol. A crise migratória em Ceuta — enclave espanhol no norte da África — provocou desgaste político e queda na intenção de voto do PSOE, partido que lidera o governo. O PP, principal força de oposição, ampliou sua vantagem nas sondagens.
Para Sidi, esse ambiente de instabilidade é fértil para campanhas de desinformação e discursos extremistas. “A democracia é inútil se as pessoas não conseguem suprir suas necessidades”, diz, ecoando preocupações de outros parlamentares sobre o risco de fraturas sociais profundas.
IA: promessa e ameaça
Especialistas consultados pelo El País reforçam que o alerta não é isolado. Relatórios da União Europeia apontam para riscos concretos: vigilância massiva, automação de armas, dependência tecnológica de grandes corporações e manipulação de massas por sistemas opacos.
Sidi não rejeita a tecnologia — reconhece seu potencial — mas insiste que regulação, transparência e educação digital são urgentes. Sem isso, afirma, democracias podem ser ultrapassadas por sistemas que operam mais rápido e com menos escrutínio do que qualquer instituição humana.






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