Uma guerra que destruiu gerações, arrasou cidades e lançou milhões de pessoas numa luta diária pela sobrevivência.
Há momentos na História em que os números deixam de ser estatísticas e passam a representar o fracasso coletivo da humanidade. Em Gaza, esses números têm o peso da morte.
São dezenas de milhares de vidas interrompidas. Milhares de crianças que não chegaram à idade adulta. Famílias inteiras apagadas. Bairros reduzidos a escombros. Escolas vazias. Hospitais incapazes de responder. Um povo inteiro forçado a viver entre ruínas.
Três anos após o início da guerra desencadeada na sequência dos ataques de 7 de outubro de 2023, a Faixa de Gaza apresenta um cenário de destruição sem precedentes. A crise humanitária continua a ser descrita pelas Nações Unidas como uma das mais graves do mundo, marcada por deslocações em massa, colapso de serviços essenciais e necessidades humanitárias extremas.
Segundo os dados compilados pela Al Jazeera, com base em informações das autoridades de saúde de Gaza e organismos internacionais, pelo menos 74 mil palestinianos morreram desde o início do conflito. Entre as vítimas contam-se mais de 21 mil crianças. Mais de 175 mil pessoas ficaram feridas.
Por trás destes números há histórias que nunca serão conhecidas por completo. Há pais que perderam filhos, irmãos que perderam irmãos, crianças que cresceram demasiado depressa e famílias que passaram a viver com a dor como parte da rotina.
A guerra transformou radicalmente o território. Cerca de 1,98 milhões de pessoas foram deslocadas das suas casas, o equivalente a aproximadamente 90% da população de Gaza. A própria ONU confirma que a esmagadora maioria dos habitantes foi forçada a fugir pelo menos uma vez desde o início da guerra.

Em muitos locais, as casas desapareceram. As ruas tornaram-se montanhas de betão partido. Locais que durante décadas acolheram famílias transformaram-se em campos de escombros.
O sistema de saúde encontra-se próximo do colapso. Segundo os dados compilados pela Al Jazeera, 94% dos hospitais e centros de saúde foram danificados ou estão parcial ou totalmente fora de serviço, permanecendo operacionais apenas 42 das 666 instalações de saúde existentes.
A água, elemento essencial à vida, tornou-se um recurso escasso. Mais de 90% das famílias enfrentam insegurança no acesso à água e milhares de pessoas sobrevivem com quantidades muito abaixo das necessidades básicas diárias.
A educação também foi atingida de forma devastadora. Mais de 700 mil estudantes ficaram sem acesso regular ao ensino e cerca de 93% das escolas necessitam de reconstrução, segundo os dados reunidos pela Al Jazeera.
Nem mesmo quem procura documentar a guerra escapou à violência. Quase 300 jornalistas e profissionais dos media perderam a vida desde outubro de 2023.
A dimensão da destruição levou diversos especialistas, organizações de direitos humanos e relatores das Nações Unidas a utilizarem o termo genocídio para descrever o que acontece em Gaza. A própria Al Jazeera apresenta a sua reportagem sob o título «Three years of Israel’s genocide in Gaza: In numbers». A qualificação jurídica definitiva continua dependente das instâncias internacionais competentes.
Três anos depois, Gaza não é apenas um território devastado. É uma ferida aberta na consciência internacional. Uma ferida feita de rostos, nomes e histórias que nunca caberão em relatórios ou gráficos. Porque cada número corresponde a uma vida. E cada vida representa um universo inteiro que desapareceu.
O PESO DA TRAGÉDIA
Gaza em números
⬛ 74.000 palestinianos mortos
⬛ Mais de 21.000 crianças mortas
⬛ 1 em cada 30 habitantes perdeu a vida
⬛ Mais de 175.000 feridos
⬛ 1 em cada 13 habitantes ficou ferido
⬛ 1,98 milhões de deslocados
⬛ 90% da população forçada a abandonar a sua casa
⬛ 82% das estruturas de Gaza destruídas ou danificadas
⬛ 94% dos hospitais e centros de saúde afetados
⬛ Apenas 42 de 666 instalações de saúde permanecem operacionais
⬛ 91% das famílias enfrentam insegurança no acesso à água
⬛ Mais de 700.000 estudantes sem ensino regular
⬛ 93% das escolas necessitam de reconstrução
⬛ 63 edifícios universitários destruídos
⬛ Quase 300 jornalistas mortos
Um número que envergonha o mundo – Mais de 21 mil crianças perderam a vida.
São milhares de aniversários que nunca serão celebrados. Milhares de carteiras vazias nas salas de aula. Milhares de sonhos enterrados sob os escombros.
Três anos depois, Gaza continua a contar os seus mortos. O mundo continua a ser julgado pela forma como reage a esta tragédia humana.
*Fontes: Three years of Israel’s genocide in Gaza: In numbers (Al Jazeera) e relatórios humanitários do United Nations Office for the Coordination of Humanitarian Affairs (OCHA). *








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